Marina Silva, candidata do PV à presidência da república, prestou inestimável serviço ao Brasil, dentre outros aspectos, ao provocar o 2º turno das eleições e ao pautar o discurso no futuro sustentável do Brasil e do mundo.

Sem passar dos 11% das intenções de voto, apontada pelas pesquisas de opinião pública como mera coadjuvante destas eleições, surpreendeu e como! Ao longo de praticamente toda a campanha e na reta final, cresceu tanto que seus quase 20% dos votos obrigaram Serra e Dilma a novo confronto em 31 de outubro, quando a expectativa geral era de que tudo se encerrasse no domingo passado.

A façanha de Marina é digna de aplausos, não somente porque fez tudo praticamente sozinha (sem estrutura partidária, coligação, tempo de TV e outros), mas, sobretudo, porque o 2º turno é fundamental. Conferirá maior legitimidade ao(à) eleito(a), que chegará ao poder ungido pela maioria absoluta dos votos – o que seria impossível se o pleito se encerrasse no 1º turno, – e porque permite o aprofundamento das propostas que visam resolver os persistentes problemas brasileiros. Com mais tempo nas propagandas e nos debates, os candidatos terão oportunidade de substituir os maçantes bordões, que visam agradar eleitores desavisados, por projetos claros, constituídos de diagnóstico, metas, métodos e prazos de concretude.

A outra contribuição de Marina veio no oportuníssimo discurso, focado no futuro sustentável do país e do planeta sem prejuízo – ou melhor, com soluções duradouras – para os problemas presentes e urgentes. Insistiu, com conhecimento de causa, na compatibilidade entre progresso e conquistas para os mais pobres, atrelado à preservação do meio ambiente. Fez coro aos alertas globais sobre o aquecimento da Terra e à possibilidade real e próxima de torná-la inabitável, se os humanos (in)conscientes não mudarem atitudes e costumes.

Seu programa no horário eleitoral gratuito chegou a ser criticado por mais se parecer um capítulo da National Geography, mas era, na verdade, aquilo em que acredita, sabe e pelo qual luta a ex-ministra do meio ambiente, perfeitamente sintonizada com os problemas do mundo e nos caminhos para solucioná-los. Dilma e Serra terão que alterar programas de governo e discursos, caso queiram conquistar os votos decisivos de Marina, sem a certeza de que conseguirão, para chegarem ao Palácio do Planalto.

De compleição física frágil, mas que se agiganta quando fala e, principalmente, quando faz, tal como os franzinos Dom Élder Câmera, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Ghandi, entre outros, Marina sai desta eleição com muitos créditos entre os brasileiros.