Despedir-se de alguém muito querido não é uma tarefa fácil. Ainda mais quando a convivência foi tão boa. Por isso, para mim, escrever estas linhas é a forma de dizer adeus ao amigo Walmor Silva. Uma das vozes mais antigas do rádio catarinense calou-se na noite de terça-feira. Ao receber a notícia dada pela jornalista Tatiana Dornelles, comecei a lembrar das muitas histórias vividas ao lado deste grande radialista.

Trabalhei com Walmor na rádio Bandeirantes AM durante dois anos e meio, de julho de 2005 a fevereiro de 2008. E neste período aprendi a gostar daquele velhinho bonachão, de sorriso fácil e de comentários muitas vezes irreverentes. Durante o período que fui produtora do Jornal Gente, no qual Walmor fazia parceria com o jornalista Ênio Batista, antes de ir para a redação da rádio, eu passava pelos estúdios, não só para ver se tudo estava correndo bem, mas para dar bom dia ao Walmor, também carinhosamente chamado de Dindinho (afinal, muitos radialistas que estão em atuação hoje entraram nesta profissão guiados por ele). O dia que eu não passava pelo estúdio, recebia uma ligação do Dindinho questionando porquê não tinha ido lhe dar bom dia. Era assim comigo e com outras pessoas da equipe.

Walmor era também muito exigente com seu trabalho. Ele gravava um comentário para o Jornal da Hora, que eu apresentava com o radialista Tony Marcos. Às vezes, quando errava alguma palavra e tinha que gravar novamente, o Dindinho sempre deixava algum recado para mim. Algo do tipo “hoje te dei bastante trabalho. Conserta direitinho”. E ele sempre acompanhava o Jornal da Hora. Se por algum problema ou contratempo tivéssemos que cortar o comentário dele, no outro dia era bronca na certa: “Por que o meu comentário não foi ao ar?”. Mas, Walmor também sabia elogiar, aliás, algo raro nesta profissão tão concorrida. “Parabéns, o jornal de ontem estava muito bom”.

O Dindinho era ainda exemplo de pontualidade e compromisso. Sempre que tinha alguma reunião, Walmor era um dos primeiros a chegar e sempre tinha algo bom a falar sobre o trabalho dos colegas. Porém, participar das atividades ‘extras’ da empresa exigia apenas uma condição: “Tem que terminar antes da minha novela”. Walmor era um noveleiro de carteirinha. Conhecia todos os atores, os enredos e criticava as histórias que estavam ‘chatas’. Se você quisesse saber o que tinha acontecido no capítulo de ontem, deveria perguntar a ele.

Outra paixão de Walmor eram os canarinhos. Ele os criava com muita atenção e diversos colegas na rádio compraram os passarinhos. Hoje, muitos deles, ao ouvirem os canarinhos cantarem, com certeza se lembrarão do Dindinho. Assim como aqueles que estiverem passando as férias em Itapirubá. Todos os dias, Walmor mandava abraços aos ouvintes da sua praia preferida. Em janeiro ele aproveitava as férias naquele balneário.
Tanto para mim, quanto para outros colegas de profissão e para os ouvintes, Walmor será sempre lembrado pelos seus exemplos, caráter e simpatia. Até a próxima Dindinho…