No dia 20 de outubro passado, celebramos o primeiro aniversário da beatificação de nossa Albertina Berkenbrock. Quem não se lembra desse dia que mexeu com a cidade de Tubarão, com a diocese de Tubarão, com o estado de Santa Catarina, com o país inteiro e, até, com o mundo! Foi uma “festa da santidade”, pois a igreja católica reconheceu oficialmente a vida de santidade da menina Albertina, que, com apenas 12 anos de vida, ousou ser santa, sem medo de ser santa, oferecendo a sua vida como mártir para defender os valores do Evangelho.

Esse primeiro aniversário faz novamente lembrar que o primordial a que a igreja de Cristo é convidada a pontuar o início deste novo milênio que estamos vivendo é a vivência da santidade. É possível essa vivência da santidade?
A possibilidade é real, sim, se os cristãos forem ouvintes da palavra de Deus, como a menina Albertina foi. A vivência da santidade não é concebível senão a partir de uma renovada escuta da Palavra de Deus.

Já o saudoso papa João Paulo II, foi enfático em afirmar isso na sua Carta Apostólica “Novo millennio ineunte”, escrita para os cristãos iniciarem com novo ardor o novo milênio: “É necessário que a escuta da palavra se torne um encontro vital, que faz colher no texto bíblico a palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência” (nº 39). De fato, é na palavra de Deus que o Senhor revela-se, educa a mente e o coração, ensina a olhar a realidade com o próprio olhar de Deus.

É na Palavra de Deus que se adquire “o pensamento de Cristo” (1 Cor 2,15) e aprende-se a viver consequentemente.
Mas há uma questão: por que tantos que lêem a Bíblia não conseguem reconhecer a voz de Deus que lhes fala e mudam de vida? Por que para alguns a Bíblia permanece apenas um livro de cultura, de sabedoria, de poesia? Por que até para muitos fiéis a palavra de Deus, escutada nas celebrações eucarísticas, não consegue incendiar suas vidas, não consegue ser a água que brota do coração de Cristo, inundando-os e renovando as suas vidas? Na Bíblia, encerra-se verdadeiramente a palavra de Deus que santifica as pessoas?

Aqui chegamos ao segredo da Albertina em escutar a palavra de Deus e tornar-se santa a partir dela e isso sem perder tempo e de maneira radical. Qual o caminho que ela trilhou e os cristãos devem trilhar em relação à palavra de Deus?
Pois bem, a resposta é esta: devemos iniciar com coragem a “frequentar” mais a Bíblia, lendo-a assiduamente, meditando-a, rezando-a, deixando que o verbo divino nos fale verdadeiramente. Trata-se de enamorar-se do texto sagrado, qual instrumento que faz encontrar a pessoa que mais queremos conhecer, amar e seguir. Não nos cansemos jamais de ler e reler, como numa constante re-evangelização, a vida, os gestos, as obras e as palavras do Filho de Deus que veio ao nosso encontro e vive conosco para fazer-nos ir ao encontro Dele e viver “por Cristo, com Cristo e em Cristo”.

Somente assim, podemos adquirir uma cultura cristã. Somente assim, o cristão, dócil à escuta da Palavra de Deus, assemelha-se a Cristo no pensar e agir; pode dizer com o apóstolo São Paulo: “para mim, o viver é Cristo” (Fil 1,21). Torna-se ele então um eco da palavra de Deus, uma “carta de Cristo… escrita não com tinta, mas com o espírito de Deus vivo”, que pode ser “conhecida e lida por todas as pessoas” (2 Cor 3,2-3). Importa, mesmo, sermos discípulos que escutam o Mestre, Jesus Cristo.
A palavra de Deus escutada e vivida produz santos. E de santos o mundo precisa urgentemente para ser mais feliz. Que Albertina se multiplique em todos nós.