Einstein, que aliava à sua condição de gênio a de grande frasista, disse que “se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela”. Assino embaixo desse aparente paradoxo. Afinal, sei bem o que é isso. A vinda do Bolshoi a Joinville era absurda; a descentralização era absurda; a recuperação da Hercílio Luz era absurda; o encontro mundial do turismo em Florianópolis era absurdo… E foram todas esperanças transformadas em realidade.

Einstein disse também que “algo só é impossível até que alguém duvida e acaba provando o contrário”. Um dos maiores símbolos da verdade dessa afirmação é o astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico. Morto há 466 anos, em 24 de maio de 1543, ele fez desmoronar uma arquitetura astronômica que já durava 18 séculos, desafiando Aristóteles e Ptolomeu, além de toda a cosmologia cristã. Sua teoria do heliocentrismo, que colocava o sol como o centro do sistema solar, contrariando a teoria geocêntrica então vigente (que considerava a Terra como o centro), é tida como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, ponto de partida da astronomia moderna.
Duvidou, e provou.

Galileu chamava-o de “restaurador e redescobridor do sistema heliocêntrico” e não seu inventor. E estava certo, pois, 1,8 mil anos antes dele, o astrônomo grego Aristarco de Samos já intuía o universo heliocêntrico. E Copérnico, que estudou latim e grego, conhecia a fundo as suas teorias.
Cada vez que me deparo com casos como esse, reforço mais e mais a minha convicção de que os gregos esgotaram tudo o que poderia ser descoberto de realmente seminal, fundamental, primordial. Tudo o mais não passando de avanços incrementais a partir das intuições daqueles incríveis helênicos.

Ontem, 25 de maio, comemorou-se os 206 anos de nascimento do filósofo, poeta e ensaísta norteamericano Ralph Waldo Emerson, talvez a mente mais brilhante já nascida naquele país. Fiz uma pequena seleta de pensamentos da sua lavra que podem servir de moldura para a pintura do rosto de Copérnico. “Atrele seu vagão a uma estrela”; “O pensamento é a semente da ação”; “Toda revolução foi, em algum tempo, apenas uma opinião particular”; “Homens superficiais acreditam na sorte, homens fortes acreditam em causa e efeito”; “O intelecto anula o destino”; “Ser grande é ser incompreendido”; “A verdade é como o sol, que um eclipse pode escurecer, mas não apagar”.

A revolução desencadeada pelo incompreendido Copérnico provocou o desencantamento do mundo, a sua “desmagização”, e não parou mais de produzir efeitos, abrindo a mente humana para um universo infinito.
Sua verdade foi obscurecida, mas impôs-se. Decorridos 449 anos da sua morte, no dia 31 de outubro de 1992, na sala real do Palácio do Vaticano, o papa João Paulo II reabilitou oficialmente Galileu, o que significa reconhecer também a verdade de Copérnico, mensagem, aliás, que ele deu aos seus fieis quando visitou Turon, cidade onde seu conterrâneo Copérnico nasceu em 1473.
As palavras da verdade são simples, e Galileu as pronunciou baixinho, quase sussurrando, logo após abjurar como herética a sua convicção de que a Terra girava em torno do Sol: “Eppur si muove” (“E, no entanto, ela se move”).