No Brasil, nas décadas de 50 e 60, o ensino de história era entendido a partir da sucessão linear dos centros econômicos hegemônicos da cana-de-açúcar, mineração, café e industrialização. “(…) As experiências no ensino elementar centravam-se no desenvolvimento da idéia dos círculos concêntricos, indicando o predomínio de um discurso de homogeneização, de educação para o trabalho, de um preparo voltado para o advento do mundo urbano e industrial” (PCN, 1997, p. 27).

Mas esse processo, com o tempo, começou a se modificar o ensino de história anunciando, a mentalidade, como os hábitos, os costumes e o cotidiano de um povo. Todo material, que no acesso ao conhecimento tem a função de ser mediador na comunicação entre o professor e o aluno, pode ser considerado material didático. Isto é, elaborados para o trabalho de sala de aula, livros, manuais, apostilas e vídeos, como também os não produzidos para esse fim, mas que são utilizados pelo professor para criar situações de ensino.

Algumas das propostas realizadas pelos historiadores podem auxiliar na criação de situações de ensino-aprendizagem na sala de aula. Proporcionando ao aluno reflexões sobre a relação presente-passado e criar situações didáticas para que conheça e domine procedimentos de como interrogar e observar obras humanas do seu tempo e de outras épocas.

Os documentos são entendidos como obras humanas que registram, de modo fragmentado, pequenas parcelas das complexas relações coletivas. São interpretados, então, como exemplos de modo de viver, de visões de mundo, de possibilidades construtivas, específicas de contextos e épocas, estudados tanto na sua dimensão material como na sua dimensão abstrata e simbólica.

O material didático é um instrumento específico de trabalho na sala de aula: informa, cria conflitos, induz à reflexão, desperta outros interesses, motiva, sistematiza conhecimentos já dominados, introduzem problemáticas, propicia vivências culturais, literárias e científicas, sintetiza e organiza informações e conceitos.

É aí que vemos a inserção de novas linguagens no ensino de história, como é o caso do uso da fotografia como recurso didático à disposição dos professores. A fotografia pode ser considerada um material didático, pois, para Alves (1989, p. 1), “(…) vale observar que o documento visual permite o conhecimento de todo o aspecto cultural de uma determinada sociedade. Através de uma fotografia é que se constitui culturalmente um grupo social (…)”.

Conforme Kubrusly, a fotografia é uma conseqüência inevitável do deslumbramento do homem diante das imagens da câmara escura. É um vestígio deixado no filme pela imagem que tanto o fascinou. Fascínio diante de uma perfeição que jamais vira uma imagem plana. Ainda hoje, o que torna a fotografia desconcertante é essa identidade de aparência com a realidade, sua capacidade de reproduzir a verdade visual (e apenas esta) com tamanha perfeição, numa imagem que se oferece desinibida à nossa volúpia visual, mas onde, também, o próximo instante jamais acontece. (2003, p. 24).

Através deste documento, é possível a interpretação de uma determinada cultura. Diante da imagem fotografada, revela-se o acontecimento quando a pessoa expõe os seus sentimentos, onde revelam em suas faces.
Diante disso, como diz Sontag (1986, p. 21) “(…) Quando um acontecimento tiver acabado a fotografia ainda existirá, o que confere ao acontecimento uma espécie de imortalidade que de outro modo nunca teria. São as imagens sobreviveis que retratam o momento.

Considerar a técnica utilizada, as condições em que a foto foi produzida, o estilo artístico do fotógrafo, o ângulo que ele privilegiou a razão pela qual a foto foi tirada, as técnicas de revelação, as interferências feitas no negativo pode propiciar informações interessantes sobre o contexto da época.
Para Sontag, “as fotografias são uma forma de imobilizar e aprisionar a realidade, considerada rebelde e inacessível. Ou ainda de ampliar uma realidade que sentimos retraída, perecível, remota”.

Ainda sobre a interpretação da fotografia, para Alves, além de proporcionar prazer e de permitir o registro cotidiano do mundo, a fotografia pode produzir outros significados. Enfim, é possível, através dela, criar uma situação em que algo possa ser enquadrado sob uma perspectiva ou forjar uma outra realidade (…). (1989, p. 3).

Esta “temática está vinculada diretamente à necessidade de resgate da memória através de análise da fotografia, a qual permite compreender a historicidade da pessoa em sua vida cotidiana”. (Alves, 1989, p. 3). É mais um recurso que está à disposição da escola, da sala de aula.