Ufa! Que bom que o Carnaval já passou. Dizem que o Carnaval é uma festa legítima brasileira. Ledo engano. Foi criado (em tempos passados) na Europa e levado gradativamente para o resto do mundo. Com forte projeção no Brasil, lógico, tanto que hoje é considerado o maior evento de diversão e aglomeração de pessoas do planeta. Dizer, com satisfação, que já terminou o período de folia pode parecer, para muitos, que não sou adepto deste tipo de festa.
 
Mas não é exatamente isto. Quero ser somente objetivo quanto a este movimento extraordinário popular de saldos positivos e também negativos. Só para fazer uma reflexão de tudo: há algumas falsas verdades sobre o Carnaval. Por trás das fantasias existem situações claras quanto ao enredo social. Afirmam tratar-se de uma festa popular. Mera ilusão! Virou transação comercial com imenso volume para os poderosos.
 
Se não, vejamos: as festas privadas, os camarotes vips, os abadás caríssimos, conhecidos como passaporte de manifestação para a alegria, entre outros artifícios puramente restritos. Para que não nos esqueçamos da extravagância, a maioria dos blocos e escolas de samba vive nas custas do poder público, ou melhor, do nosso dinheiro. Nenhuma atração é realizada com trios elétricos nas ruas ou bandas em praças para divertir o povo só por ser um ato democrático.
 
Milhões de reais são pagos para artistas daqui ou de outros lugares, e carnavalescos também, para garantir o espetáculo a uma população reles, que sequer possui a comida na mesa todos os dias, nem o medicamento quando necessário. Quem não ouviu, durante o reinado de Momo, músicas do tipo agressão moral, medíocres sob qualquer circunstância de audição, em detrimento da boa melodia? É muito triste ver o grande número de ambulâncias disponibilizadas em concentração do Carnaval para dar auxílio aos bebuns de plantão e fanfarrões que se metem em brigas e quebra-quebra.
 
Aí se pergunta: onde estão estes mesmos veículos de socorro quando um pai desesperado necessita levar o filho ao hospital, quando um trabalhador sente-se fragilizado por causa de uma doença qualquer, pessoas em locais mais afastado precisam ser transferidas de uma cidade para outra para, submeter-se a exames ou procedimento médico. Cadê a ambulância para eles? Lamentavelmente, em ritmo dissonante, altos efetivos policiais são determinados para estes pontos de extrema desordem e posicionamento vulgar. Mas no cotidiano é cerceada a segurança para cada um de nós, cidadãos de bem, que merece exercitar o pleno e sagrado direito de ir e vir.
 
Falam até que o Carnaval é uma festa sobrenatural, que faz circular milhões de reais na economia do país, e que pequenos comerciantes conseguem vender muitos produtos e obter renda extra. Na verdade, o lucro concentra-se mesmo é nas mãos dos fabricantes de bebidas alcoólicas, de cigarros e outras drogas lícitas, ou ilícitas, que rolaram livremente por toda parte. No mais, o prejuízo é certo como dois mais dois são quatro.
 
Você, amigo leitor, já imaginou quantos são gastos pelo estado para atender centenas e centenas de envolvidos em acidentes? Registra-se: a quantidade de vítimas fatais nas rodovias federais do país foi a maior dos últimos anos. Um aumento de 24% no número de mortes em relação ao ano passado. Os valores desembolsados pelo poder público com verbas indenizatórias são astronômicos. E um bocado enorme de DSTs que são transmitidas durante a festa em que tudo é tolerado, infelizmente.
 
E assim foi a comemoração dos brasileiros E mais: com dor e desgraça para muitos. É comum perceber administrador promover inversão de valores ao utilizar mal os impostos dos contribuintes. Em princípio, alegam falta de recursos para investimentos maiores em atividades de necessidade básica. Entretanto, não medem nenhum esforço quando querem originar gastança desnecessária. 
 
Quem conhece um pouco o sistema, sabe que existem verbas específicas para todas as áreas. É notório que a demanda é superior a oferta, contudo, é impossível entender como alguém responsável por um setor de massa encontra artifício para gastar dinheiro além da conta, com atitudes não condizentes à população. Para não ser taxado de antiquado, até porque não me considero assim, penso eu que o Carnaval até já foi bom, mas com certeza há anos. Para dirimir dúvida da atual geração é só consultar os mais vividos. A experiência é o livro da vida!