Muito tem se falado sobre a minha demissão da Rádio Bandeirantes, há poucos dias. A verdade é a seguinte: o senhor Saul Brandalize Junior colocou a rádio AM à venda, pois mudou sua visão de investimentos e não iria mais colocar dinheiro em rádios que não fosse FM.

Sendo assim, resolveu vender a Rádio Bandeirantes, antiga Tabajara. Como o valor de um empreendimento deste é muito alto, imaginei que levaria algum tempo para vendê-lo, então, analisei os números, fiz um estudo de viabilidade financeira e lancei a proposta para arrendamento da 1090. Para mim, um sonho, para outros tantos, uma loucura. Ofereci R$ 15 mil por mês, que era o prudente e o sensato. Recebi o ok da direção da empresa, que pediu para que eu oficializasse a proposta. O fiz em cinco dias, mandei por e-mail e receberia a resposta na quinta-feira seguinte.

Neste entremeio, surgiram os primeiros comentários de que Genésio Goulart, ao saber que eu estava arrendando, cobrira a minha proposta e estava arrendando a rádio para que não caísse em minhas mãos. Não acreditei, porque oferecer mais do que eu tinha oferecido era uma loucura ou rasgar dinheiro, mas, como esta situação já teria me acontecido em duas outras oportunidades e eu tinha ficado com várias dívidas, me mantive atento.

Liguei para o meu vice-presidente, Vânio Bossle, da TVBV, e ele me disse que eu teria chego muito tarde e que eles teriam fechado negócio com o senhor Túlio Zumblick e seu grupo. Este grupo poderia ser qualquer um, inclusive Genésio Goulart. Foi jogado um ‘balde de água fria’ em meus planos. Um menino que vem do interior e acaba arrendatário de uma rádio?

Fala sério, parece conto! Mas tudo bem, chegou a sexta e eu fiz o meu programa, Jornal Gente, normalmente.
Fiquei até um pouco aliviado por não ter sido demitido em seguida, mas, quando estava pegando minha bicicleta no conserto, recebi a ligação: “Enio, tu não apresentas o Frente a Frente amanhã, sábado, e também não apresenta o Jornal Gente segunda-feira, provavelmente estás fora”.

Segunda-feira, fui à Rádio para fazer meus acertos e, quando conversava com o nosso vice-presidente financeiro, Vanderlei Peretti, de Floripa, para minha surpresa entra na sala Genésio Goulart. O que ele foi fazer? Pegar os documentos do contrato para levar e serem assinados… pelo grupo.

O clima não ficou bom e Perett me levou para outra sala, onde estavam meus colegas Simar e Luciano Pavlak. Lá, ele disse o seguinte: “O nosso negócio é que eles arrendaram, vão pagar R$ 25 mil por mês e querem você, Enio, e o Mexicano fora”. O meu amigo Mexicano foi mantido a pedido de Túlio, mas eu… você já sabe o que aconteceu. Esta é a verdadeira história da minha demissão.