O circo é uma expressão artística, parte da cultura popular, que visa a diversão e o entretenimento dos espectadores. Mais do que isso, o circo é a busca alegre do encantamento dos que assistem ao espetáculo, encantamento este causado mais do que pela encenação circense em si, com sua rica estética, mas também pela superação demonstrada pelo artista do picadeiro.

A sobrelevação do homem, seja pela exibição de seu alto grau de destreza, beleza e vigor físico, seja pela disciplina necessária para tão extenuantes treinamentos, e, principalmente, pela sua capacidade de fazer rir, pensar, desconfiar, descrer, arrebatar e enternecer.
O picadeiro é o palco do talento humano. Tanto das aptidões naturais, quanto das habilidades adquiridas. É onde a sensibilidade humana deveria mostrar-se com toda a sua grandeza, e em todo seu fulgor.
Infelizmente, algumas apresentações circenses, em desalinho com a consciência ecológica e os ideais de liberdade que deveriam permear este século, ainda insistem em explorar animais.

Parecido com o que conhecemos hoje, foi somente no século 18 que o circo foi se consolidando. Contudo, os espetáculos públicos destinados a entreter o povo pipocavam mais ou menos organizados desde a Roma Antiga, época em que, além das corridas de bigas, também se prestigiavam atrações com animais. Depois de apresentarem engolidores de fogo e gladiadores, os espetáculos valeram-se da perseguição aos cristãos, que eram atirados às feras, com o que se esperava distrair o que eles tinham por cidadãos romanos.

Posteriormente, na história das diversões públicas, os espectadores ainda se divertiram com a observação de mulheres barbadas, anões, homens elásticos, enfim, pessoas portadoras de síndromes que hoje são de amplo conhecimento da ciência médica, mas que eram tratadas como aberrações e curiosidades.
A humanidade evoluiu. Hoje, seja por força de lei, seja por força do progresso moral que se pode atribuir a grande parte das pessoas, não se duelam mais até a morte, não se lançam mais cristãos aos leões, e não se apresentam mais como diversão o sofrimento de pessoas com hirsutismo, nanismo, Síndrome de Ehlers-Danlos, Síndrome de Proteus ou elefantíase, ou qualquer outra patologia que pudesse distrair pelo grotesco.

É hora de acabarmos com a exploração de animais em circos. O uso de animais em espetáculos circenses é uma prática cruel, que sempre pressupõe maus tratos, independentemente das medidas tomadas pelas empresas que exploram comercialmente estes seres para lhes minorar o sofrimento.
O próprio aprisionamento em jaulas é, em si, uma violência execrável, e muito maior quando se leva em conta o espaço diminuto dessas gaiolas, e se pensa na área em que esses animais ocupariam se em liberdade, na vida selvagem.

Além disso, como os animais realizam os números que arrancam risos dos espectadores??? Eles recebem dinheiro para isso, ou efusivos ‘muito obrigado’??? Não!!! Eles são açoitados, levam choques elétricos e são de toda forma constrangidos a fazê-los. Recebem comida em retribuição??? Não!!! Eles são sistematicamente privados de alimentos, e, quando recebem um pedaço de qualquer coisa no picadeiro em retribuição a uma ‘gracinha’, estão geralmente há muito tempo sem comer.

É sabido por todos, e os experimentos de Pavlov confirmam, que, para obtermos dos animais um comportamento que não lhes seja natural, que não lhes seja instintivo, é preciso que se lhes imponham agravos físicos. Não acredite alguém que, por exemplo, um leão pule através de um arco em chamas sem que seu treinador lhe inflija, ou lhe tenha infligido, algum tipo de flagelo.

Precisamos nos conscientizar, e conscientizar aos outros, de que, ao pagar por um ingresso de circo que explore animais em suas atrações, estamos pagando para que os donos do negócio continuem escravizando e ultrajando os animais.
Não!!! Digam não aos circos que explorem animais. Não vá a um circo destes. Façam seus filhos enxergarem as práticas violentas que pressupõe uma apresentação circense estrelada por animais. E que um dia os entretenimentos públicos contemplem apenas o talento humano, e não sua crueldade.