Maurício da Silva
professor e Membro da Comissão organizadora dos Seminários

No dia 24 de março de 2018 faz 44 anos da inundação que destruiu a cidade de Tubarão, desabrigou 65 mil pessoas e matou 199.

Outra inundação, com o crescimento exponencial da população, principalmente às margens do rio, causará tragédia bem superior que a de 1974.

Para que isso não ocorra, o Conselho Municipal de Segurança, a Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos, Defesa Civil, Prefeitura e Câmara Municipal de Tubarão realizam Seminários desde 2008.

Neles, são apresentadas formas de manter aquela tragédia na memória coletiva (quanto mais rápido uma tragédia é esquecida, mais cedo ela retorna), de prevenção (o que precisa ser feito para evitar que rio transborde novamente) e de reação eficiente (caso o rio transborde, o que cada tubaronense deve fazer para minimizar os danos).

A Lei Municipal (Nº 3289/09) garante a realização dos Seminários no dia do aniversário da tragédia, 24 de março (neste ano ocorrerá no dia 23/3 (hoje), às 8h30, na Acit); recomenda que às 15h deste dia, durante um minuto, sons compassados dos sinos recordem o ocorrido, e que as escolas reflitam sobre a temática e se engajem em atividades que resultem em prevenção.

Graças aos Seminários, o governo do Estado investiu cerca de R$ 2,5 milhões nos projetos Executivo e Ambiental para redragagem do Rio. Audiências Públicas foram realizadas nos municípios de Laguna, Tubarão e Capivari de Baixo. Foi criada Comissão, com 21 entidades, para acompanhar os mencionados Projetos. A Unisul criou o Núcleo de Pesquisas Sobre Desastres Naturais (elaboração do mapa de risco geotécnico de Tubarão). A Defesa Civil Municipal equipou-se melhor, realiza capacitação nas escolas e monitora o rio por meio de sensores. Tubarão recebeu o certificado das Nações Unidas para participar do programa “Cidades Resilientes” (que se recuperam de adversidades).

Não é o suficiente para evitar que tudo vá por água abaixo novamente, inclusive as vidas, que não há como serem recuperadas. Mas é muito mais do que apenas criticar ou ir às margens do rio quando as águas sobem e voltar para os afazeres cotidianos, quando baixam, como se nunca tivesse ocorrido enchente em Tubarão ou como se nunca fosse ocorrer (ocorreram diversas, antes da de 1974 e estamos na eminência de outra. O rio está assoreado).

Os Seminários têm se constituído em valiosíssimo instrumento de veiculação de conhecimento sobre o tema e de alerta – ou pressão – sobre as autoridades.

Afinal, outra enchente em Tubarão não mais será compreendida como fatalidade, mas como criminosa omissão, visto que tantos são os alertas do próprio Rio, as tecnologias que permitem prevenção e os milhões de reais públicos desperdiçados pela incompetência ou drenados para a corrupção.