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Opinião

G-20 no Japão: governo acerta e queima a língua

Publicado em 02/07/2019 00h10

Víctor Daltoé dos Anjos
Geógrafo e licenciado em Geografia/UFSC

O acordo Mercosul-União Europeia, assinado nessa semana, é um avanço, mas os bolsonaristas fazem um sorriso amarelo de comemoração. Em seis meses de governo Bolsonaro, não foram poucos os seus representantes e ideólogos que fizeram discurso desmerecendo tanto o Mercosul quanto a União Europeia e, indiretamente, o caminho do livre-comércio. Se o governo finalmente acertou em algo, foi queimando a língua.

Em julho de 2018, quando da derrota do Brasil para a Bélgica, na Copa do Mundo, Felipe Martins, um dos principais ideólogos de Bolsonaro, fez um twitte bem característico. Afirmou que a Bélgica seria um “ninho de cosmopolitas que não possuem qualquer laço nacional”, nostálgico que é Felipe de um patriotismo que teria sido corroído pela União Europeia, a qual tem suas principais instituições sediadas em Bruxelas, capital belga. A mesma opinião negativa sobre o bloco europeu que trouxe o livre-comércio para seus integrantes já foi dada pelo atual e atrapalhado chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, em artigos antigos, afirmando que a União Europeia é “um espaço culturalmente vazio”.

Já o atual “superministro” da Economia, Paulo Guedes, no seu primeiro discurso, em janeiro de 2019, desprezou o Mercosul como uma “preocupação secundária” para o Brasil do novo governo, além de ter tratado de forma grosseira uma jornalista argentina.

Todos os bolsonaristas ou integrantes de seu governo que flertaram com essa postura antiliberal de ir contra o Mercosul e a União Europeia queimaram a língua nessa semana com o acordo que pode permitir uma liberalização do comércio entre os integrantes ativos do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e os atuais 28 países europeus, o qual quase foi aprovado durante o governo Temer, depois de quase 20 anos de negociações. Mas o governo Bolsonaro diz ser o pai da criança.
Talvez a assinatura do acordo sirva como aprendizado para o governo. Seus militantes podem finalmente aprender que o liberalismo é a saída para o percurso econômico que o país deve seguir.

A saída para a economia não é a gosma ideológica propagada pelos bolsonaristas de extrema-direita, que são antiliberais, contra os blocos econômicos e pensam com os cascos.


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