Certo dia estava eu sentada junto a mesa de jantar, e quando olho para a sacada vejo essa cena. Essa fofura aí da foto é a Fiona, Buldogue Inglês de 2 anos no auge da sua forma. Eu digo isso porque essa raça é assim mesmo, eles sempre parecem estar acima do peso, mas é da sua natureza. Fiona hoje está com 27 kg, tem uma alimentação regrada, não come nada além do recomendado pelo veterinário, passeia todos os dias (exceto em dias de chuva ou quando o trabalho não nos permite) e vai para a creche 2x na semana. Uffaa! Escolhas que fazemos e devemos ser responsáveis por ela, afinal, quem é louco de ter um cão dessa raça em apartamento? EUZINHA!

Mas vamos voltar ao assunto inicial. Quando olho para a sacada vejo essa cena, Fiona tentando se encaixar no espaço apertado das pernas do banquinho. Na hora eu não resisti, saquei o celular e fiz algumas fotos antes que ela pudesse sair e eu perder o clique. Fiquei por alguns minutos contemplando a cena e refletindo sobre tal atitude dela. Era nítido que ela estava fazendo o possível para caber ali naquele espaço, se esforçando para se encaixar. 

Veja bem, eu não sou nenhuma filósofa ou algo do tipo, mas naquele momento eu entendi o quanto isso acontece na nossa vida o tempo todo. De alguma forma estamos tentando nos encaixar em algum lugar, algum emprego, algum grupo, alguma roupa, algum coração… a diferença é que nós temos a oportunidade de fazer isso conscientes, já a minha Fiona não tem consciência nenhuma (e eu vejo isso também quando ela quer deitar comigo no sofá, nenhuma noção de espaço rs). 

Nessa busca incessante em “se encaixar” por aí a fora, acontece de querermos ocupar um espaço que não nos cabe, no caso das roupas, não é diferente. Estamos de alguma forma tentando uma comunicação através da nossa imagem, e muita gente ainda não se deu conta de o quanto a roupa comunica. Essa comunicação deve começar primeiro de você para você, para que então o outro te perceba confiante. Se “encaixar” nem sempre pode ser bom, faz a gente mudar nosso comportamento, deixando de lado a espontaneidade e autenticidade que é o que nos diferencia uns dos outros. 

Minha amiga Fiona nunca terá autoconsciência, mas na sua limitação deu um recado importante para nós hoje.