Wagner da Silva
Braço do Norte

“Ninguém é melhor que ninguém neste mundo. Cada um tem sua particularidade e a música deve ser tocada com sentimento, com a alma”. Estas palavras foram pronunciadas por Zé Montenegro, considerado um dos melhores bateristas brasileiros, para cerca de 50 músicos que participaram de um workshop em Braço do Norte. O evento, organizado pela Associação de Músicos do Vale do Braço do Norte, iniciou com a demonstração de Eder Medeiros, baterista da Bandativa e professor de música.

Simpático desde a sua chegada à cidade, Zé Montenegro mostrou que música não se executa apenas com a técnica, mas, principalmente, com emoção. Sua jornada de sucesso representa isso. Ele é neto, filho e pai de baterista.

Há 32 anos dedica-se às baquetas. Promove, em média, 40 cursos por ano. Em seu currículo constam ainda 80 participações em gravações de discos e CDs de músicos como Luiz Melodia, Stanley Clarck, Nico Assunção, Richard Bonna, Artur Maia e Renato Borghetti.

Para Zé Montenegro, ser músico, às vezes, é sofrimento. “Este caminho está cada vez mais estreito, pois a verdadeira cultura não é entendida pela massa. Porém, ainda há espaço para todos. Assim, realizo-me ali, quando toco, e aquele momento é só meu”, comenta o baterista.

Ele acrescenta que, mesmo com o ministro da cultura, Gilberto Gil, sendo músico, não houve muitas mudanças na área. “Se mudou não notei. A transição é lenta e não acredito que tenha mudado muito”, garante.
Segundo Zé Montenegro, a pessoa que quer seguir no mundo da música tem que ter dedicação. “O site não ensina bateria, o computador não o deixará mais rápido. No meu tempo não tínhamos esta tecnologia.

Mesmo assim, para aprender, tem que se dedicar, estudar muito”, afirma. Ele garante ser necessário bastante treino. “No momento em que um baterista conseguir emocionar alguém tocando, aí sim acredito que ele estará pronto. Para fazer isso com outro instrumento é mais fácil”, destaca.

O baterista afirma ainda que se tornou ídolo de alguns de seus alunos, mas acredita ser um processo. “É normal. Quando eles (músicos) começam a perceber o grau de dificuldade, passam a entender porque dou aulas e eles não”, brinca.