Tubarão

A inclusão social de alunos portadores de necessidades especiais vem ganhando cada vez mais espaço, principalmente nas salas de aula. Na escola de ensino básico Hercílio Luz, em Tubarão, além do atendimento a estudantes cadeirantes, surdos e mudos, há um outro diferencial: um professor gago.

Rodrigo Vargas de Souza é formado em biologia e trabalha a disciplina de ciências com os alunos de 5ª a 8ª séries. Ele sofre com a gagueira desde a infância. “Passei por muitas situações complicadas, de preconceito. As pessoas tiravam sarro, faziam gracinhas. A adolescência foi uma fase muito complicada”, conta. As dificuldades ficaram ainda maiores durante a universidade. “Apresentar um trabalho era um verdadeiro sufoco. Quanto mais nervoso e estressado eu fico, mais eu gaguejo”, relata.

Com acompanhamento de fonoaudióloga, Rodrigo está hoje mais fluente. E parte dessa superação veio na sala de aula. “Os alunos sentem-se à vontade comigo, principalmente aqueles que têm algum tipo de deficiência, surdos, mudos. Eles vêem que podem superar, ter uma carreira. Eu também consigo entender o que os alunos sentem, as dificuldades que eles têm. Quando estou com os alunos, dificilmente gaguejo, até porque falo bastante”, revela.