#Pracegover Foto : A mão de um homem está levantada para bater em uma mulher que está com as mãos também para cima. O intuito dela é se defender. Ela está com o rosto virado

Tubarão teve neste ano um aumento de 24,58% no número de mulheres vítimas de violência doméstica entre janeiro e 28 de agosto de 2020, segundo dados estatísticos da Secretaria de Segurança Pública. Em 2019, de janeiro a agosto, o número de vítimas foi de 1.249. No mesmo período deste ano, o número saltou para 1.556. Há dois anos eram 1.062 casos.

A Delegada Regional de Tubarão, Vivian Garcia Selig, pontua que os números aumentaram, porém o incentivo a denúncia e o encorajamento das vítimas são fatores para que ocorram os registros na delegacia. “ A pandemia não demonstra em números que seja um fato primordial nesse aumento. Em março tivemos mais casos de violência doméstica na região como um todo e em abri se equivaleu. Foram 182 casos neste ano e 182 em 2019. Da mesma maneira que maio e junho mantiveram os dados”, observa.

Ela assegura que houve um incremento nos registros, no entanto, a situação já ocorre há alguns anos. “Isso ocorre por conta da disseminação da informação, o encorajamento das vítimas a registrarem os fatos. Tudo isso acaba influenciando no número de registros”, detalha.

Entre as ocorrências com maior número de registros há o crime de ameaça, que geralmente desponta em incidência. Violência doméstica e crimes contra a honra, porém não há registros de feminicídio. “Neste ano não registramos feminicídio consumado, em 2019, foi registrado um caso e em 2018, dois. Os registros ocorreram em maios dos dois anos”, expõe.

Não é somente a agressão física que característica a violência doméstica, mas também a moral, psicológica, patrimonial e sexual. Muitas mulheres, por exemplo, têm dificuldade, inclusive de reconhecer que estão em uma relação de violência. Por isso é tão importante a informação e saber que há uma rede de serviços para elas.

De acordo com especialistas, por estarem envolvidas emocionalmente, muitas vezes com filhos, as mulheres têm dificuldade de identificar principalmente as agressões psicológicas, que podem levar as agressões físicas e até ao feminicídio. A sociedade tende a estigmatizar e culpabilizar a mulher em casos como esses e desestimular que denunciem os agressores.

Outra forma de violência doméstica é a que afasta as mulheres de seu convívio social, muitas vezes com o pretexto de ciúme ou proteção, tirando-a de perto de seus familiares e amigos. A dependência financeira, até mesmo impedindo que a mulher trabalhe ou controlando seus rendimentos, também é uma forma de domínio que o homem pode exercer em casos de abuso doméstico.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013 o Brasil já ocupava o 5º lugar, num ranking de 83 países onde mais se matam mulheres. São 4,8 homicídios por 100 mil mulheres, em que quase 30% dos crimes ocorrem nos domicílios. Além disso, uma pesquisa do DataSenado (2013) revelou que 1 em cada 5 brasileiras assumiu que já foi vítima de violência doméstica e familiar provocada por um homem.

Os resultados da Fundação Perseu Abramo, com base em estudo realizado em 2010, também reforçam esses dados – para se ter uma ideia, a cada 2 minutos 5 mulheres são violentamente agredidas. Outra confirmação da frequência da violência de gênero é o ciclo que se estabelece e é constantemente repetido: aumento da tensão, ato de violência e lua de mel. Nessas três fases, a mulher sofre vários tipos de violência (física, moral, psicológica, sexual e patrimonial), que podem ser praticadas de maneira isolada ou não.

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