Caberá agora ao juiz de primeira instância marcar data para novo julgamento

São Paulo

Por quatro votos a um, o Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo decidiu nesta terça-feira que os policiais militares envolvidos no massacre do Carandiru serão julgados novamente. Ocorrido após uma rebelião na casa de detenção na Zona Norte da capital, o incidente terminou com 111 detentos mortos em outubro de 1992. Caberá agora ao juiz de primeira instância marcar data para novo julgamento e decidir se ele será feito em partes ou se será apenas um júri.

Em setembro do ano passado, dois dos cinco desembargadores da 4ª Câmara Criminal do TJ (Camilo Lellis e Edison Brandão) votaram pela anulação dos cinco julgamentos que condenaram 74 policiais militares pelos assassinatos de 77 detentos (os outros 34 presos teriam sido mortos pelos próprios colegas de celas). O então relator, desembargador Ivan Sartori, ex-presidente do TJ, havia votado pela absolvição dos PMs.

Nesta terça, os desembargadores julgaram embargos infringentes, tipo de recurso previsto para quando não há decisão unânime. Além de Lellis, Brandão e Sartori, participaram do julgamento os desembargadores Euvaldo Chaib Filho e Luis Soares de Mello Neto, relator do caso analisado nesta terça.

O relator Mello Neto, que defendeu novo júri, foi acompanhado por três desembargadores. O antigo relator, Ivan Sartori, foi o único que defendeu a absolvição.

A procuradora Sandra Jardim, responsável pela acusação, criticou a possibilidade de se absolver os policiais. “Produziram a maior chacina, o maior massacre e morticínio dos presídios brasileiros. Será que absolver 74 culpados fará justiça?”, questionou.

Após o julgamento, a advogada Ieda Ribeiro de Souza disse que a decisão desta terça já era esperada. “O que se tentou aqui foi a extensão da absolvição”, disse. A advogada também informou que irá recorrer a instâncias superiores para pedir a absolvição de seus clientes.

Dos 77 policiais que haviam sido condenados no massacre do Carandiru, apenas um está preso, mas por outro crime (o assassinato de seis travestis).

Fonte: G1
Foto: Kleber Thomaz/G1/Divulgação/Portal Notisul