A tempestade tropical Humberto se aproxima, neste sábado, do norte das Bahamas, onde milhares de pessoas tentam voltar à normalidade após a passagem do furacão Dorian, que atingiu a categoria 5. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) informou que Humberto estava às 3h GMT (00h, no horário de Brasília) a leste da ilha Ábaco se deslocando lentamente para o noroeste.

Autoridades emitiram um alerta de tempestade para toda a zona noroeste das Bahamas, incluindo a ilha Nova Providência, onde está Nassau, a capital, assim como para as ilhas Ábaco e Gran Bahama, arrasadas pelo Dorian.

O NHC prevê que Humberto se converterá em furacão “em dois ou três dias”. A tormenta seguirá em direção norte durante o final de semana e na próxima semana passará ao largo da costa leste da Flórida, nos Estados Unidos.

Nas Bahamas são esperados ventos de até 100 Km/h, e fortes chuvas podem provocar inundações nas ilhas, cujos solos já estão encharcados de água, disse Trevor Basden, diretor do Departamento de Meteorologia.

Carl Smith, porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Emergências das Bahamas (Nema, na sigla em inglês), indicou que a tempestade pode afetar os esforços de ajuda e recuperação em Grand Bahama e Ábaco.

— O temporal desacelerará a logística — advertiu. — O combustível e a água continuam sendo as maiores necessidades nas Ábaco.

Crise climática

O secretário-geral da ONU, António Guterres, escreveu no Twitter que foi a Bahamas para expressar sua “solidariedade com o povo” e as “maneiras pelas quais podemos continuar a apoiá-lo”. Guterres disse que em algumas áreas 75% dos edifícios foram destruídos pelo Dorian.

— Os hospitais estão em ruínas ou sobrecarregados. As escolas se tornaram escombros. Milhares de pessoas ainda precisarão de ajuda com comida, água e abrigo — disse.

O líder da ONU disse ainda que o furacão demonstrou a necessidade de lidar com as mudanças climáticas: — Em nossa nova era de crise climática, furacões e tempestades estão dcada vez mais fortes — acrescentou.

Essas tempestades, ressaltou, “ocorrem com grande intensidade e frequência – como resultado direto do aumento da temperatura dos oceanos. — A ciência está dizendo: isso é apenas o começo. Sem uma ação urgente, a mudança climática só vai piorar. Toda semana há notícias de devastação relacionadas ao clima.

Porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Hervé Verhoosel declarou que os voos para Marsh Harbour, a maior cidade das ilhas Ábaco, foram suspensos devido à tempestade. Ele indicou que os moradores das ilhas deveriam buscar refúgio.

De acordo com Verhoosel, 1.300 pessoas continuam desaparecidas após a passagem de Dorian, o mesmo número que comunicou na última quinta-feira. O porta-voz da Nema informou também que 71 pessoas estão alojadas em abrigos na ilha de Grand Bahama e 2.037 em abrigos em Nova Providência, onde fica Nassau.

— Não estamos recebendo mais grandes quantidades de evacuados das Ábaco e de Grand Bahama — detalhou, e anunciou que o aeroporto internacional de Grand Bahama em Freeport foi reaberto para “tráfego comercial limitado”.

O número oficial de mortos em consequência de Dorian é de 52, mas as autoridades reconheceram que esta quantidade deve aumentar significativamente. O ex-primeiro-ministro Hubert Ingraham disse que temia que a cifra final de vítimas poderia ser de centenas de pessoas.

Foto: Imagem registra momento em que uma tempestade se aproxima de Nassau, em 12 de setembro de 2019/ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP