Brasília (DF)

A maioria dos abortos no país é feito por mulheres de 20 a 29 anos, que trabalham, têm pelo menos um filho, usam métodos contraceptivos, são da religião católica e mantêm relacionamentos estáveis. Elas têm até oito anos de escolaridade e estão no mercado de trabalho com renda de até três salários mínimos, exercendo funções como as de doméstica, manicure e cabeleireira.

O perfil foi traçado por um estudo que reuniu resultados de mais de duas mil pesquisas sobre o aborto no Brasil, elaboradas nos últimos 20 anos, com base principalmente em informações de mulheres atendidas em serviços públicos de saúde de grandes cidades depois de induzir o aborto em casa.

O levantamento, realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), aponta o uso do medicamento de venda controlada Misoprostol, conhecido como Cytotec, como principal método abortivo utilizado no país.

De acordo com uma das coordenadoras do estudo, Débora Diniz, o perfil apontado não traz surpresas, pois reproduz as características gerais das brasileiras em idade reprodutiva. “Essas mulheres decidem pelo aborto quando já têm um filho. Diferente do que poderia se imaginar. Elas tomam a decisão pelo aborto do alto da responsabilidade da maternidade”, acrescentou a pesquisadora.