Carolina Carradore
Tubarão

Macas nos corredores e salas de observação lotadas. Esse é o cenário da emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição das últimas semanas. Somente ontem, 12 pessoas internadas no setor aguardavam por uma vaga nos leitos do HNSC. A situação, que já se tornou rotineira na instituição, fez com que a administração do hospital, junto com a Associação Mãos que Salvam (Amav), pedisse apoio aos prefeitos da Amurel, em reunião na tarde de ontem, na sede da associação.

A diretora financeira do hospital, Rute Meneghel, sugeriu um convênio firmado pelos municípios da associação. Todos os valores, juntos, amenizariam a situação do hospital. O prejuízo causado pela emergência do hospital ultrapassa R$ 100 mil.

Atualmente, o HNSC tem 1.116 internações represadas. “São serviços que o hospital prestou e não recebeu por eles, pois excedem o número de internações estipuladas pelo SUS”, explica Rute. A administração tem até três meses para cobrar as internações represadas dos municípios da Amurel. Caso contrário, o valor será perdido. A sugestão de convênio será discutida na reunião de colegiados dos secretários de saúde Amurel. A data ainda não foi definida.

SUS
O hospital de Tubarão disponibiliza atualmente 405 leitos. Deste total, 80% são ocupados por pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em média, de 15 a 20 pacientes aguardam por dia na emergência para serem transferidos a um quarto. Por mês, cerca de 1,6 mil pessoas são atendidas. A causa da superlotação é a de sempre: como o HNSC é referência na Amurel, pacientes de outros municípios procuram a instituição.

Emenda 29
Os prefeitos reunidos ontem na Amurel também definiram que as lideranças da região devem pressionar e pedir a aprovação da Emenda 29 aos deputados e senadores do estado. O texto prevê a aplicação de R$ 25 milhões na área da saúde. O recurso ajudará os estados, municípios e hospitais a investir na saúde.

“Foi traumatizante”

A falta de leitos do Hospital Nossa da Conceição reflete também nos acompanhantes dos pacientes. Pela regra, tem direito a acompanhantes, doentes até 18 anos e idosos acima de 60 anos. O conferencista Rodrigo da Rosa vivenciou uma situação traumatizante na sexta-feira passada.

Ele acompanhava a avó, Adélia Gonçalves, 79 anos. Sem vaga, a idosa foi acomodada em uma sala de observação da central de emergência e o neto passou a madrugada ao seu lado, sem acomodações adequadas. A aposentada morreu de manhã. “Foi traumatizante. Ela foi muito bem tratada, mas eu estava em claro e ela faleceu ali, do meu lado. Se estive em um quarto, a situação poderia ser diferente”, analisa.