Carolina Carradore
Tubarão

A luta pela preservação do sambaqui Garopaba Sul, em Jaguaruna, ganha força. A secretaria de obras da prefeitura recebeu nesta semana o mapeamento do lugar, que ajudará no trabalho de demarcação. Pela lei orgânica do município, residências só poderão ser construídas em um raio de 200 metros de distância do sambaqui.

“Com o mapa, podemos evitar a construção de casas que não obedecerem a esse limite, pois podemos demarcar no sistema e ter uma noção do espaço”, afirma a engenheira da secretaria de obras, Elaine Lucindo. Como a lei não respalda o embargo das casas construídas antes de 2000, ano em que passou a vigorar a lei, a prefeitura tenta coibir a instalação de novas residências e embargar outros construídos há dez anos.

Uma das alternativas foi impedir que a Cergal e o Samae instalem água e luz em moradias em construção. “Com o mapeamento, não vamos correr o risco de aprovar construção de residências dentro daquela área”, garante. A ideia da é demarcar área de preservação permanente de todo litoral de Jaguaruna até o fim do ano.

Apoio da comunidade

O Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) também auxilia na preservação dos sambaquis da região. Para Garopaba Sul, a ideia é fazer um trabalho de revitalização da área de cercamento.

A comunidade também apoia o projeto e apontou as suas opiniões em um questionário enviado pelo Grupep aos 30% dos moradores da comunidade de Garopaba do Sul com a finalidade de avaliar a percepção das pessoas em relação ao sambaqui. Um total de 71% dos entrevistados afirmaram saber o que é um sambaqui e 95% considera importante a preservação do sítio arqueológico.

“Para que o patrimônio arqueológico tenha uma gestão eficiente, consideramos que alguns instrumentos devem ser postos em prática dentro do município, como identificação, proteção, produção de informação, visibilidade e fruição pública, além de mecanismos legais para alcançar essas metas”, ressalta a arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias.