Bogotá, Colômbia

A presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Brasil “chegou até as mais altas esferas” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Partido dos Trabalhadores (PT), aos líderes políticos brasileiros e ao poder judiciário, publicou ontem a revista colombiana Cambio.

A conclusão é fruto de supostos e-mails encontrados no computador do ex-porta-voz internacional das Farc Raúl Reyes. O governo colombiano, no entanto, “usou seletivamente os arquivos do computador de Raúl Reyes”.

A publicação acrescenta que com “Equador e Venezuela, (os arquivos) foram usados para colocar em contradição (o presidente venezuelano Hugo) Chávez e (o presidente equatoriano Rafael) Correa, hostis a (o chefe de Estado colombiano Álvaro) Uribe”.

Com o Brasil, “a articulação foi feita embaixo da mesa para não comprometer Lula, que se mostrou mais hábil e menos combativo com a Colômbia”, afirma a revista. A publicação diz que Uribe conversou sobre o assunto no último dia 19 com Lula, quando o brasileiro esteve na Colômbia.

E-mails
Nos e-mails de Reyes – cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia e que foi morto por tropas colombianas em solo equatoriano em primeiro de março – são mencionados “cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial da presidência, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz superior” brasileiros, acrescentou a revista.

Algumas mensagens foram escritas durante o processo de paz da Colômbia entre 1998 e 2002 em San Vicente del Caguán, durante o governo do então presidente colombiano Andrés Pastrana, “e envolvem um prestigioso juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas brasileiras”.

A mesma reportagem diz que “a expansão das Farc na América Latina não incluiu apenas funcionários dos governos de Venezuela e Equador, mas também comprometeu importantes dirigentes, políticos e altos membros do PT”.