Amanda Menger
Tubarão

Está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do senado o projeto que estabelece cotas sociais e raciais para a entrada nas universidades federais. O projeto de lei 180/2008 teve origem na câmara dos deputados e tem como relatora a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), cujo parecer é favorável à matéria.
O assunto voltou ao debate e tem dividido opiniões. O estudante de educação física Jefferson Pinter é contra. “Não dizem que somos todos iguais? Então, isso é discriminação”, avalia. O estudante Marcos Leoni tem a mesma ideia. “Se o aluno tem capacidade, ele consegue entrar na universidade”, avalia.

O sistema de cotas sociais reserva vagas para os alunos de escolas públicas. Já as raciais, para estudantes autodeclarados negros, pardos e índios. “Sou favorável, mas há uma distorção entre o que se pensou na conferência de Durban, na África, e o que se faz no Brasil. A ideia era reparar os descendentes de escravos africanos em diversos aspectos, um deles é o acesso ao ensino superior”, explica o vereador e professor Maurício da Silva (PMDB), de Tubarão.

“Essa é uma discussão complicada. Sou favorável à cota social para as pessoas que demonstram não ter condições de pagar a faculdade. Já com relação às cotas raciais, o posicionamento é controverso”, observa o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unisul, Rodrigo Darella.
A presidenta da União Catarinense dos Estudantes (UCE), a lagunense Clarissa Peixoto, afirma ser favorável às cotas. “Entendo que é uma medida paliativa, que a educação precisa ser reformada como um todo. No entanto, o acesso à universidade ainda está nas mãos de poucos”, diz.

Para Clarissa, o Exame Nacinal do Ensino Médio (Enem) e o Pró-Uni têm mostrado que os alunos de escolas públicas conseguem boas notas. “Será que não é o vestibular formatado, garantindo a entrada de uma parcela específica da sociedade? Queremos construir uma nova escola, mas é preciso garantir a inclusão no ensino superior de estudantes, é uma dívida que o país tem com a nossa sociedade”, observa Clarissa.

Ufsc
• Na Ufsc, 20% do total de vagas em cada curso são para alunos que cursaram integralmente a escola pública. Outros 10% do total de vagas em cada curso são destinadas para candidatos negros. Adicionalmente, serão oferecidas seis vagas extras (suplementares) para candidatos indígenas.

• O candidato que desejar participar do sistema de cotas deverá fazer essa opção no requerimento de inscrição e, caso seja classificado, estará sujeito a comprovação das condições.