Lily Farias
Braço do Norte

A retirada da ponte pênsil de Braço do Norte começou a ser feita nesta segunda-feira (6) para dar espaço a uma ponte de rodagem. Mal começou a ser tirada, a ponte pênsil já deixa saudade. Construída na década de 1970, a passagem só para pedestres, fez parte da vida dos moradores como um marco no desenvolvimento.

A ponte liga o Centro de Braço do Norte ao bairro Lado da União, que até 1999 pertencia à cidade de Orleans. A própria ponte já foi construída recheada de história. Os cabos de aço que sustentam a estrutura foram retirados do antigo teleférico usado na Serra do Rio do Rastro para transportar madeira, muito antes da estrada ser como conhecemos hoje. 

Quando foi construída tinha as cabeceiras apenas de madeira. Com o tempo, para a segurança dos pedestres, foram colocadas as cabeceiras de concreto, final da década de 1990.

Morador do Lado da União, Tarcísio Volpato (62 anos), acompanhou de perto a construção da ponte pênsil, viu o bairro sair de Orleans para fazer parte de Braço do Norte, e diz que, embora entenda que BN cresceu, também sente que a cidade perdeu um pedacinho de seu “corpo”. 

“A ponte acabou sendo um elo forte entre o Lado da União e o Centro da cidade. Foi um cartão postal de Braço do Norte. A retirada da ponte vai deixar saudade e tem um sentimento de perda”, conta.   

Lembranças

A ponte pênsil de Braço do Norte já foi interditada, passou por reformas, reabriu. Mas ela esteve sempre ali pra ser pano de fundo de boas histórias. 

“Tem muitas histórias para contar sobre a ponte, a mais engraçada de todas é que uma mulher tentou passar por lá e caiu na água. Ela estava de vestido, a saia abriu, formou um paraquedas e amorteceu a queda. É lenda, ela foi salva pelos bombeiros, mas ficou a lembrança carinhosa da história com a ponte “, conta Tarcísio   

Quem  também tem boas lembranças é Pedro Paulo Gonçalves, morador do Centro. Ele conta que em 1976 ia com a família para tomar banho próximo à ponte. “Às vezes tinha mais de 200 pessoas tomando banho de rio perto da ponte. Ali juntavam as famílias de todas as classes sociais. Cheguei a vender picolé na beira do rio. 

Apesar de bela, a ponte parecia um monstro para muita gente que não passava por por medo do “balanço”. Como conta dona Arlete Berkenbrock, de São Luiz. “Faz 44 anos que passei pela ponte, passei mal, tive labirintite e nunca mais voltei”. 

Agora é só olhar para o futuro
Ao mesmo tempo que o sentimento de saudade e perda toma conta dos moradores de Braço do Norte, eles também sentem esperança de um futuro ainda mais promissor. Já que a nova ponte é um sonho de muita gente. 

“Tenho uma filha que mora no Lado da União e estou sempre lá. Estou muito feliz ver uma ponte de rodagem sendo construída, é o sonho de muitos. As pessoas do Lado da União vai morar no centro praticamente. 

Seu Tarcísio concorda. “É um legado que nossa geração vai desfrutar mais tarde. Mas enquanto isso vou me despedindo aos pouco fazendo fotos da retirada da ponte todos os dias para companhar todo o processo”.