O exemplo, como forma de incentivar as pessoas, ocorre em diversas cidades
O exemplo, como forma de incentivar as pessoas, ocorre em diversas cidades

 

Mirna Graciela
Tubarão
 
Em mais um ato na campanha por melhorias salariais, os policiais civis de Tubarão realizam hoje, a partir das 7 horas, um protesto em frente à Central de Plantão Policial (CPP), no centro. Depois, eles caminham até a Unidade coletora do Hemosc, onde farão a doação de sangue e se cadastrarão como doadores de medula óssea. A expectativa é de que 40 profissionais participem. “A polícia trabalha no combate ao crime, mas também em manifestações de ética e cidadania. Este é um protesto do bem”, avalia um investigador policial. 
 
Ontem, os policiais da região carbonífera aderiram à ideia, nos municípios de Criciúma e Araranguá. A iniciativa antecede a Semana Nacional do Doador de Sangue, entre os próximos dias 21 e 27. 
 
Hoje, encerra o prazo que a polícia deu ao governo do estado para apresentar uma proposta. O encontro entre os três sindicatos da Polícia Civil e o vice-governador Eduardo Moreira (responsável pela negociação) ocorrerá à tarde.
 
Caso os policiais não aceitem a proposta, uma paralisação de advertência será feita nos próximos dias 16, 17 e 18, quando somente os serviços de emergência serão mantidos. “De forma alguma, queremos prejudicar a população. Nossa intenção é pressionar o governo”, avisa o policial.
 
A atitude da categoria vem para suprir a carência existente nos estoques dos bancos de sangue do estado. Os tipos “O” negativo e positivo e “A” negativo estão em falta. Inclusive, cirurgias foram canceladas nas duas últimas semanas. Cada doação pode salvar até quatro vidas. 
 
Estado perde 50 policiais ao ano
Os policiais civis pedem o cumprimento da reposição salarial com o nivelamento dos cargos, o adicional de 25% sobre os vencimentos dos policiais ao se aposentar – quando isto ocorre, ele perde 30% -, e a incorporação aos proventos da aposentadoria, de até 25% do adicional de permanência. O salário base de um policial é de R$ 781,00, enquanto a família de um preso recebe um auxílio reclusão de R$ 800,00. Ainda os gastos que este detento dá ao governo do estado”, compara o policial civil. Ele conta que, desde 2008, cerca de 200 policiais pediram demissão e migraram para outras áreas devido à baixa remuneração. “O estado perde cerca de 50 policiais ao ano”, informa.