#Pracegover Foto: na imagem há uma criança colocando o dedo no ouvido
#Pracegover Foto: na imagem há uma criança colocando o dedo no ouvido

Ao viajarmos de avião, é comum durante as decolagens e pousos que as pessoas comentem sobre a sensação de ouvido tampado. O mesmo acontece quando descemos ou subimos a serra durante viagens de carro ao litoral e também em mergulhos mais profundos. A solução muitas vezes é simples para adultos e crianças mais crescidas. Mas, para os bebês e crianças pequenas, o desconforto nem sempre é manifestado, fazendo com que os pais muitas vezes sequer percebam que os filhos estão passando pela situação.

Esse incômodo em descidas de serra, viagens de avião e mergulhos acontece por conta de um desequilíbrio entre a pressão atmosférica do ambiente e a pressão interna do nosso ouvido, causada por uma rápida variação de altitude. Esse descompasso faz com que a tuba auditiva, uma estrutura de circulação de ar que liga o ouvido médio, o nariz e a garganta, não funcione direito, afetando o tímpano, uma membrana que capta as vibrações do ar que serão decodificadas em sons pelo cérebro e que separa o ouvido interno e o externo.

“Com a mudança brusca de pressão na descida da serra, a tuba deixa de trabalhar corretamente e o tímpano se retrai, num movimento para dentro do ouvido, causando a sensação de entupimento. A situação inversa ocorre na subida da serra, quando o tímpano é empurrado para fora. O cenário é o mesmo em viagens de avião, durante pousos e decolagens”, explica Alessandra Garrido Coelho de Souza – CRFa 3 – 7298, fonoaudióloga, especialista em Audiologia Ocupacional, do Conselho Regional de Fonoaudiologia – 3ª Região (CREFONO3), atuante no Paraná e em Santa Catarina.

Para amenizar o desconforto, ações simples são suficientes e costumam resolver a situação, que é passageira. O modo mais fácil é abrir e fechar a boca, movimento que força a entrada e saída de ar, equalizando a pressão interna e externa e provocando relaxamento do tímpano, que volta à posição normal. Também é possível forçar o movimento de engolir saliva, beber pequenas quantidades de água ou bocejar, ou mesmo realizar a manobra de Valsalva, que consiste em forçar a expiração com o nariz e a boca fechados (com o cuidado de não forçar demais e provocar dor).

Porém, bebês e crianças menores muitas vezes não têm a capacidade de manifestar que estão passando pelo incômodo. E é justamente esse grupo que passa com mais frequência pela situação, já que as funcionalidades da tuba auditiva ainda estão em desenvolvimento nessa fase. Algumas técnicas ajudam a evitar o problema, e podem ser executadas sem dificuldades pelos pais.

“No caso de viagens de carro, em que temos o controle do veículo, é possível simplesmente reduzir a velocidade. Isso ajuda a criança a se acostumar mais facilmente à diferença de altitude. Também é ideal fazer paradas no caminho para que a criança sugue algo, como mamadeira, chupeta ou faça uma mamada no peito da mãe, ou, ainda, tenha algo para comer, já que os movimentos de sucção e mastigação aceleram a despressurização do ouvido”, indica Alessandra.

Ainda segundo a especialista, em situações em que não dá para controlar a velocidade, como em viagens de avião, é possível dar balas mastigáveis ou gomas de mascar à criança mais crescida, e oferecer mamadeira ou realizar a amamentação no caso de bebês, especialmente antes e depois da decolagem e do pouso. Além disso, vale dar um banho quentinho e colocar um pano umedecido em água morna sobre os ouvidos da criança caso ela demonstre ainda estar com o ouvido tampado ao chegar em casa – com o cuidado de não encharcar o tecido e passar pelo risco de deixar entrar água no ouvido dela.

Quando o incômodo piora ou não passa

O entupimento de ouvidos costuma ser um problema temporário, que se resolve em no máximo algumas horas. Mas, se o problema persiste ou há dor, coceira, sangramento ou tontura, é preciso procurar um especialista para realizar uma avaliação e, dependendo do caso, indicar um tratamento. Isso vale tanto para crianças e bebês quanto para adultos.

Infecções como a otite externa também podem causar uma sensação de entupimento do ouvido externo, causada pela inflamação do canal auditivo, acompanhada de secreção, febre, zumbido ou perda temporária da audição. Nas crianças, ainda, levam à irritação, inquietude e coceiras frequentes na região.

“A prevenção da otite começa pelo uso de tampões de ouvido para evitar a entrada de água. Além disso, é preciso secar bem as orelhas após o banho de mar, piscina ou até do chuveiro, usando toalhas macias e inclinando levemente e lentamente a cabeça para os lados. É preferível evitar o uso de hastes flexíveis de algodão, pois pode causar perfuração do tímpano. E nunca se deve colocar álcool no canal interno para tentar evaporar a água, já que essa prática pode irritar a região”, orienta a fonoaudióloga.

A profissional ainda indica não ser recomendável viajar de avião ou realizar mergulhos quando já foi detectada uma otite, além de gripe, sinusite, labirintite ou nariz entupido, já que esses fatores podem causar bloqueio da tuba e uma consequente ruptura da membrana do tímpano. “As lesões no ouvido causadas pela variação da pressão atmosféricas, conhecidas como barotraumas, além de dolorosas, podem provocar surdez parcial ou permanente. É preciso ficar atento às condições de saúde antes, durante e depois da viagem, principalmente das crianças e bebês, que só indicam o incômodo ou desconforto por meio de sinais e comportamentos que apenas os pais ou responsáveis conseguem perceber”, aponta Alessandra Garrido.

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Fonte: AIs. Comunicação e Estratégia