Priscila Loch
Tubarão
 
O Beto caiu novamente! Desta vez no sentido figurado da palavra. O movimento criado após a queda do empresário tubaronense Riberto Lima, o Beto, no rio Congonhas entrou em cena após alguns meses de ‘silêncio’ para protestar contra a demora do início da construção da ponte de concreto na divisa de Tubarão com Jaguaruna.
 
Um outdoor foi colocado próximo à cabeceira da travessia, no lado tubaronense, na manhã de ontem. A mensagem escolhida para mostrar a indignação é cheia de ironia: “As comunidades de Tubarão e Jaguaruna agradecem o empenho de nossos governantes. Com certeza no dia 07/10 não esqueceremos de vocês”.
 
“É uma forma que temos de pedir que a população analise bem na hora de votar. É uma palhaçada o que está sendo com relação a esta ponte. Prometem, prometem e não fazem nada”, critica Beto Lima. “É um caminho de ligação. Não falam tanto de desenvolver o turismo?  Pois esta é uma alternativa ao trânsito pesado da BR-101”, acrescenta.
 
O movimento Cai aqui, Beto começou na internet, no início do ano, e ganhou as ruas com passeio ciclístico e camisetas. A campanha, idealizada pelo publicitário Philipe Costa Alexandrino, motivada pela queda de Beto enquanto treinava para uma prova de ciclismo, não ficou restrita à Ponte de Congonhas. Inclusive, diversas placas foram colocadas em outros bairros para mostrar aos políticos a necessidade de maior atenção com o locais em questão.
 
Sem resposta quanto ao projeto
A construção da nova Ponte de Congonhas virou uma verdadeira novela. Mesmo com tantos apelos por parte da população de Tubarão e Jaguaruna, que se sente insegura quando precisa utilizar a precária travessia de madeira, não há previsão de quando a obra sairá do papel.
A última dificuldade registrada foi a falta de resposta quanto à conclusão da readequação do projeto. O serviço foi contratado pela prefeitura de Jaguaruna há mais de três meses, mas até agora não foi finalizado e nem um prazo foi dado para isso.
Inclusive, um ofício foi enviado à Amurel pela prefeitura solicitando ajuda para resolver a situação. Não se descarta a hipótese de ter que começar a fazer as alterações no projeto do zero.
A travessia terá 60 metros, e o projeto inicial previa 15 metros a menos. Por isso a necessidade de alteração do projeto. Os prazos de entrega foram prorrogados algumas vezes. Somente depois desta etapa será possível começar a obra.
 
Alterações
Além do comprimento da passagem, será preciso alterar também o tamanho dos pilares de sustentação e o modelo da ponte. Conforme a sondagem do rio, a profundidade é maior do que o projeto previa. As estacas só serão fincadas com segurança a mais de 34 metros abaixo d’água, valor além do estimado (menos de 30 metros).
A travessia de concreto será construída ao lado da estrutura de madeira (do lado esquerdo de quem segue de Tubarão para Jaguaruna). Como a ponte será mais extensa que o previsto, provavelmente será necessário pedir um aditivo financeiro, que deve ser bancado pelas administrações municipais.
 
Relembre
• A construção de uma passagem de concreto é reivindicada desde 2006, já que a estrutura de madeira está muito precária e gera insegurança nos usuários.
• A nova travessia sobre o rio Congonhas terá oito metros de largura, duas pistas de rolamento e passagem para pedestres.
• A empresa Souza e Esmeraldino venceu a licitação para construir a nova ponte de Congonhas por R$ 744.591,80. Deste total, R$ 600 mil será proveniente do governo do estado e cada prefeitura dará uma contrapartida de R$ 92.704,10.
• A ordem de serviço foi assinada em maio.
• O único trabalho visível da obra após a assinatura da ordem de serviço era os tapumes para cercamento do canteiro de obras. Mas as peças de madeira foram furtadas.
• A Souza e Esmeraldino aguarda a readequação do projeto para iniciar efetivamente as obras.
• O prefeito de Jaguaruna, Inimar Felisbino Duarte (PMDB), descartou em outra oportunidade a possibilidade de refazer a licitação por causa da modificação do projeto.