#Pracegover Foto: na imagem há uma mulher negra, com cabelos curtos, de óculos e sorrindo
#Pracegover Foto: na imagem há uma mulher negra, com cabelos curtos, de óculos e sorrindo

Nesta sexta-feira 20 de novembro comemora-se o Dia da Consciência Negra em todo o Brasil. Mas há muito o que comemorar? E a palavra certa seria ‘comemorar’? Recentemente podemos acompanhar que uma mulher não quis que um entregador de alimentos entrasse no prédio onde ela mora. “Esse preto não vai entrar no meu condomínio. Manda outro motoboy que seja branco”, escreveu a cliente.

Em 2020 foram tantos insultos, tantas formas de racismo e pré-conceitos. É verdade que esperávamos uma população mais evoluída, inclusive para entender que racismo reverso não existe. A pergunta cansativa seguiu: ‘Mas por que não tem o Dia da Consciência Branca?’ Talvez porque a escravidão foi cruel e prejudicial à população negra, e não à branca. Aquela máxima de ‘Consciência Humana’ também foi utilizada muitas vezes. Nesta quinta-feira (19), mais uma vez foi o sangue negro derramado por impunidade, por racismo e pré-conceito. O homem negro? Morreu logo ali, numa rede de Supermercado no Rio Grande do Sul.

Nesta semana em diversos municípios do país, milhares de pessoas foram às urnas e escolheram os seus representantes municipais. E Joinville, a maior cidade de Santa Catarina elegeu pela primeira vez uma mulher negra. Antes da confirmação do resultado nas urnas, as páginas da professora e agora vereadora eleita Ana Lúcia Martins (PT), de 54 anos, foi invadida e ela ameaçada de morte.

A equipe do Notisul entrou em contato com a docente de educação física aposentada e vereadora pela Cidade das Flores. Candidata pela primeira vez a um cargo no legislativo. “O que ocorreu no domingo à noite foi uma invasão na nossa página no Instagram e que logo conseguimos resolver, porém dois dias depois veio essa situação bastante grave. Ela coloca a nossa integridade física em risco”, pontua.

Próximo ao Dia da Consciência Negra, um dos comentários direcionados à vereadora, por um perfil ainda não identificado, dizia: ‘Agora só falta a gente m4t4r el4 [sic] e entrar o suplente que é branco’. “ Tomamos todas as medidas necessárias. O caso já está sendo investigado pela delegacia da mulher. Os meios de comunicação locais, do Estado e também nacional estão solidários, publicando e compartilhando. Que diz não a intolerância e a esse grupo, que se intitula superior e que ameaça a vida daqueles que eles julgam inferior. Esperamos que o município e o Estado se posicione diante deste fato. É algo grave”, destaca.

Sobre a data, Ana Lúcia afirma que o 20 de novembro vem para reforçar o quanto aquilo que boa parte da população diz todos os dias é confirmado. “Sim. Vivemos num país racista, numa cidade racista e em um Estado racista. Não me espanta o racismo porque convivemos com isso diariamente, mas me espanta a ousadia de ameaça de morte”, expõe.
Apesar do ocorrido, Ana Lúcia assegura que não tem se deixa abater e segue firme em seu projeto. “Vamos seguir com as nossas propostas de igualdade racial, a promoção da Cultura Negra, criar novos espaços de cultura. A cidade precisa olhar para o negro e saber que também fazemos parte dela”, observa.

E sobre o aumento de número da população negra nas Eleições municipais, Ana Lucia acredita que esta situação ocorre por causa das organizações de mulheres negras e da atuação dos movimentos negros no país. “Vivemos um momento em que a população negra e a não negra tem se incomodado com a invisibilidade das pessoas nesses espaços. A sociedade tem se sensibilizado para que esses espaços de poder tenham mais pluralidade da população negra, das mulheres, das pessoas com deficiência, da população indígena e população LGBTQIA+, para que tenhamos nesses espaços todas as vozes e todos os corpos e sua representatividade”, finaliza.

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