Uma grande marca mundial de automóveis, em uma publicidade na televisão a anos atrás, vendia seu produto ilustrando a mudança do papel social da mulher. Mostrava uma mulher com trajes de executiva chegando em casa após um dia de trabalho e cumprimentava seu marido, que preparava a refeição da família e cuidava das duas filhas. Para surpresa dele, a esposa o presenteou com um carro novo.

São sinais de mudança que mostram um novo comportamento, mas a publicidade do carro não seria entendida há décadas atrás, e provavelmente por alguns ainda hoje. Ao longo da história, mulheres e homens desempenham papéis sociais bem diferentes.

Após um longo período de opressão e discriminação, a passagem do século XIX para o XX ficou marcada pelo recrudescimento do movimento feminista, o qual ganharia voz e representatividade política mais tarde em todo o mundo na luta pelos direitos das mulheres, dentre eles o direito ao voto.

Essa luta pela cidadania não seria fácil, arrastando-se por anos. Prova disso está no fato de que a participação do voto feminino no Brasil aconteceu apenas a partir de 1932 quando as mulheres brasileiras puderam votar efetivamente.

A mulher do século XXI deixou de ser coadjuvante para assumir um lugar diferente na sociedade. Hoje as mulheres não ficam apenas restritas ao lar, como donas de casa, mas comandam escolas, universidades, empresas, cidades e, até mesmo, países.

Na Unimed

No Brasil, é crescente a participação da mulher no mercado de trabalho e é notório o aumento de sua importância na economia, com destaque profissional em diversos setores. Em 2007 a presença feminina representava 40,8% do mercado formal. Em 2016 esse percentual subiu para 44%. Os dados são do Ministério do Trabalho e são baseados em pesquisas do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Um exemplo deste crescimento feminino no mercado de trabalho está bem representado na Unimed Tubarão, desde sua criação em 1991. São 118 mulheres representando 78% do corpo funcional da cooperativa médica. Deste total, 70 delas tem filhos e três estão a 25 anos na Unimed. Acima de 10 anos são 22 mulheres atuando na cooperativa.

Depoimentos

Para Angelica Wilke, casada, mãe de uma menina e atuando na área administrativa do Centro de Imagem Unimed, ser mulher é ser fonte de equilíbrio a todo o momento. “É dentro desse equilíbrio que despertamos nossas forças, coragem e atitudes. Conciliar trabalho com a vida pessoal, não é uma tarefa fácil. Mas precisamos disso pra nos tornar mais fortes”, comenta.

“Ser mulher é um grande desafio. É ter atitude, personalidade, força e sensibilidade. É desdobrar-se em diversas tarefas e reinventar-se a cada dia, fazendo parte da rotina de todas as mulheres, seja em casa, no trabalho ou com a família”, acentua Daniela Vargas, 40 anos, colaboradora da Unimed, mãe do Enzo de 5 anos, esposa do Marco e dona de casa. Avalia que as mulheres tem uma serenidade e uma força interior imensa. “Isto permite que tenhamos mais coragem para as tarefas diárias, pois conseguimos transformar tudo, mas sem perdermos a essência”, analisa.

Gislaine Vieira Alves, 40 anos e mãe da Alice e do Lucas, avalia que ser mulher e ter uma força vital múltipla. “Energia, inteligência, coragem, medo, sensibilidade e vontade de seguir em frente sempre. É a tentativa diária de se equilibrar entre a independência e a intimidação”, diz. Mesmo tendo uma rotina corrida, ela lembra que sempre procura conseguir um tempinho para cada coisa. “Conseguir assumir todos os papéis de uma mulher, no entanto, só é necessário com um pouco de organização e determinação”, ressalta.

“Ser mulher é ser capaz de tantas coisas que às vezes nem nós nos damos conta. Quanto mais amadureço mais admiro as mulheres. Essa versatilidade e capacidade de se refazer são incríveis”, avalia a psicóloga, coaching e coordenadora de RH na Unimed Tubarão, Cyntia de Sá.

No seu trabalho na Unimed, Cyntia convive com muitas mulheres, com suas diferenças, seus encantos, seu jeito de acolher, com fome de vida, com suas dores e suas alegrias. Já presenciei tantos momentos com estas mulheres incríveis. “Temos um coração gigante que acolhe e compartilha muita emoção”. Acentua.

Ela ressalta que a mulher tem uma força e uma determinação que aquece coração. “Muitas vezes precisa se recolher para se refazer. Isto também é atitude, é força. Quem um dia definiu a mulher como o sexo frágil acho que estava mesmo era com receio da força da mulher. Temos fragilidades, somos humanas, e conseguimos cada vez mais admitir nossas vulnerabilidades sem ressalvas. Reconhecer nossas forças e fraquezas só nos fortalece. Quando paramos de nos comparar e entendermos que somos seres singulares neste mundo, isto nos deixa com mais leveza e plenitude”, comenta.

Cyntia diz que as mulheres vêm conquistando novos espaços no mercado de trabalho, com novos desafios, novas responsabilidades. “Em casa nos cuidados com os filhos e com o lar tem sido necessário um novo posicionamento dos homens e das mulheres. Mudanças vêm e trazem junto novas exigências, novas condutas. Há uma estrada pela frente, mas vejo passos serem dados em direção a mais respeito e a mais equilíbrio para poder viver a sua essência”, conclui.