O médico chinês Li Wenliang – que ganhou notoriedade por ter sido um dos primeiros agentes de saúde a divulgar os riscos da infecção do novo coronavírus – morreu nesta quinta-feira na cidade de Wuhan, em decorrência de problemas respiratórios recorrentes da doença. A divulgação sobre o perigo representado pelo coronavírus lhe custou uma reprimenda por parte do governo de local. Ele foi acusado de “espalhar rumores online” e de “perturbar seriamente a ordem social” e teve que prestar depoimento à polícia local.

Segundo a TV americana CNN, o médico de 34 anos estava internado em Wuhan desde 12 de janeiro. Antes de seu diagnóstico, Li trabalhava nas linhas de frente da epidemia. Por volta do dia 10, ele desenvolveu tosse e febre e mais tarde teve que ser internado em uma unidade de terapia intensiva. Seus pais foram hospitalizados com sintomas semelhantes. Ele contraiu coronavírus de um paciente.

Reprimenda

No mesmo dia, em dezembro de 2019, em que Li mandou mensagens em seu grupo de ex-alunos da escola de medicina no aplicativo chinês de mensagens WeChat alertando que sete pacientes de um mercado local de frutos do mar haviam sido diagnosticados com uma doença semelhante à SARS e estavam em quarentena em seu hospital, um aviso de emergência foi emitido pela Comissão Municipal de Saúde de Wuhan. A nota informava informava às instituições médicas da cidade que uma série de pacientes do Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan tinha uma “pneumonia desconhecida”.

O aviso advertia: “Não é permitido a nenhuma organização ou indivíduo divulgar informações de tratamento ao público sem autorização”. Nas primeiras horas de 31 de dezembro, as autoridades de saúde de Wuhan realizaram uma reunião de emergência para discutir o surto. Depois, Li foi convocado pelas autoridades de seu hospital para explicar como ele sabia dos casos, informou o jornal estatal Beijing Youth Daily.