A mancha de óleo que atinge a região Nordeste deve chegar às praias de Salvador nesta quinta-feira (10), uma semana depois do primeiro registro em costa baiana, no distrito de Mangue Seco, na cidade de Jandaíra, no Litoral Norte. De acordo com o professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Guilherme Lessa, isso pode ocorrer porque o óleo continuará se deslocando para o sul enquanto estiver na água.

O professor explicou que o óleo chegou à costa da Bahia devido a uma mudança no sentido dos ventos no mês passado. “Até o início de setembro, os ventos de sudeste empurraram a água costeira para o norte, o que evitou este óleo de alcançar o litoral baiano. A partir de setembro, os ventos de direção leste e nordeste passaram a soprar e trouxeram o óleo na nossa direção”, pontuou.

Até a última terça-feira (8), o Ibama informou que já haviam sido retiradas cerca de 10 toneladas do resíduo apenas no estado. Há registros do óleo em Jandaíra, Conde, Esplanada, Entre Rios, Camaçari e Praia do Forte, que fica em Mata de São João.

Para chegar até o Brasil, o óleo foi conduzido pela corrente marítima Sul Equatorial, que é de larga escala e cruza o Oceano Atlântico, segundo destaca o professor. Ele acrescenta ainda que, perto da costa, as correntes são impulsionadas pelo vento e fazem o trabalho de transporte.

Sobre a hipótese de que o óleo foi extraído de um campo na Venezuela, Lessa aponta que, mesmo que o material tenha procedência do país, isso não significa que ele necessariamente tenha sido lançado no mar em terras venezuelanas.

“O óleo vazou ou foi lançado aparentemente no Oceano Atlântico, em latitude próxima ao Estado de Pernambuco. Se tivesse vazado na Venezuela, o óleo teria seguido no sentido norte e chegaria ao Golfo do México”, justificou.

Lessa alerta ainda que o óleo deve seguir o sentido sul enquanto estiver no mar. A informação preocupa, porque é justamente na região sul do estado que fica o arquipélago de Abrolhos, onde a temporada de baleias permanece até meados de novembro. O óleo pode atingir os animais e gerar danos à vida marinha.

Segundo o diretor do Instituto Baleia Jubarte, Enrico Marcovaldi, as baleias jubarte já estão deixando a região ao norte do estado, onde o óleo já chegou. Por esse motivo, a organização aponta que o risco de contaminação e morte das baleias é baixo.

“Até agora, não tivemos relato, nem mais ao norte. A sorte das baleias é que na temporada já está no final. Mesmo assim, estamos todos atentos junto com os órgãos responsáveis, como o Inema, o Ibama e a Petrobras”, afirmou.

Além da Bahia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe também foram atingidos.

Origem

A investigação do Ibama aponta que o petróleo que está poluindo todas as praias é o mesmo. Trata-se de petróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado de gasolina e outros. Contudo, a sua origem ainda não foi identificada. Em análise feita pela Petrobras, a empresa informou que o óleo encontrado não é produzido pelo Brasil.

Mesmo sendo de origem estrangeira, os responsáveis estão sujeitos a multas de até R$ 50 milhões, em conformidade com a Lei de Crimes Ambientais, Lei 9.605/1988, segundo  a coordenadora geral de Emergências Ambientais do Ibama, Fernanda Pirillo.

O Ibama informou que requisitou apoio da Petrobras para atuar na limpeza de praias. Nos próximos dias, a empresa disponibilizará um contingente de cerca de 100 pessoas.

O Ibama orienta as pessoas que identificarem manchas de óleo em alguma praia a entrarem em contato com a prefeitura do local e com o instituto por meio da Linha Verde, no número 0800 61 8080.

LISTA DE PRAIAS AFETADAS NA BAHIA

Mangue Seco

Coqueiro

Barra da Siribinha

Barra do Itariri

Sítio do Conde

Baixio

Mamucabo

Subaúma

Porto do Sauípe

Praia do Forte

Santo Antônio

Guarajuba

Itacimirim