Palestras educativas são elaboradas para levar informações à população durante este mês, em Tubarão.

Lysiê Santos
Tubarão

A guerra na Síria deixou mais de 300 mil mortos desde seu início, há seis anos. Já a epidemia ‘permanente’ na barbárie do trânsito brasileiro, pela imprudência em rodovias e vias urbanas e rurais, resulta em uma média de 50 a 60 mil óbitos por ano, ou seja: o trânsito no Brasil mata mais do que muitas guerras.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as estatísticas revelam que no trânsito brasileiro ocorrem cerca de cinco mortes por hora, 136 por dia e 50 mil por ano. Os acidentes são o primeiro responsável por mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade; o segundo, na faixa de 5 a 14 anos; e o terceiro, na faixa de 30 a 44 anos.

A imprudência, a negligência e a imperícia na direção veicular tem causado o derramar de lágrimas e a dor de milhares de famílias que, todos os dias choram a morte de seus entes queridos que tomaram atitudes erradas no trânsito ou foram vítima da decisão inconsequente de alguém. Assim, com a proposta de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito, em todo o mundo surge o movimento Maio Amarelo, que ganha força a cada ano.

A ação, coordenada entre o poder público e a sociedade civil, tem a intenção de colocar em pauta o tema segurança viária e mobilizar toda a população, envolvendo os mais diversos segmentos para, fugindo das falácias cotidianas e costumeiras, efetivamente discutir o tema, engajar-se em ações e propagar o conhecimento, abordando toda a amplitude que a questão do trânsito exige, nas mais diferentes esferas.

Palestras podem ser agendadas
Em Tubarão, o programa foi lançado no último sábado por meio da iniciativa de diversas entidades como o Rotary Club, Escolinha de Trânsito da Polícia Militar, autoescolas, Ferrovia Tereza Cristina (FTC), Grupo de Alcoólicos Anônimos e a Guarda Municipal. O evento levou informação à população durante o Dia D promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Esse ano o tema da campanha educativa é “Minha Escolha faz a Diferença no Trânsito”.

De acordo com o coordenador do movimento Maio Amarelo em Tubarão, Luis Rodrigo de Queiroz Bremenkamp, as entidades pretendem ministrar palestras em escolas e empresas durante todo o mês levando informações importantes para aumentar a segurança no trânsito. “O trânsito no Brasil tem matado mais do que guerras e é importante que se tenha maior educação, fiscalização e punição no setor. Os órgãos já aumentaram o valor das infrações e a fiscalização da Lei Seca, mas cada um precisa fazer a sua parte”, alerta o coordenador.

Ele destaca que os responsáveis pelas unidades escolares e empresas de Tubarão que tenham interesse em levar as orientações para o seu espaço devem entrar em contato com o movimento por meio do telefone (48) 99987-2528 e agendar um horário para a palestra.

A cor
A cor amarela foi escolhida devido à sinalização de advertência, utilizada nos semáforos. Por isso ficou conhecida como a cor da atenção pela vida. Assim como os movimentos de conscientização de combate ao câncer de mama, de próstata e contra o vírus HIV, o Maio Amarelo também é simbolizado pelo laço, nesse caso, amarelo.

Década de Ação para a  Segurança no Trânsito
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) editou, em março de 2010, uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”. O documento foi elaborado com base em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países. Aproximadamente 50 milhões de pessoas sobreviveram com sequelas.
Se nada for feito, a OMS estima que 1,9 milhão de pessoas devem morrer no trânsito em 2020 (passando para a quinta maior causa de mortalidade) e 2,4 milhões, em 2030. Nesse período, entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas sobreviverão aos acidentes a cada ano com traumatismos e ferimentos. A intenção da ONU com a “Década de Ação para a Segurança no Trânsito” é poupar, por meio de planos nacionais, regionais e mundial, cinco milhões de vidas até 2020.