Foto:Divulgação/Notisul
Foto:Divulgação/Notisul

Tubarão

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu, ontem, os derivados da Cannabis sativa, a maconha, na lista de substâncias psicotrópicas vendidas no Brasil com receita do tipo A, específica para entorpecentes. A norma permite que empresas registrem no país produtos com canabidiol e tetrahidrocannabinol como princípio ativo, passo necessário para venda de remédios.

A medida faz parte da atualização da Portaria nº 344/98, que também estabelece que laboratórios registrem os derivados em concentração de, no máximo, 30 mg de tetrahidrocannabinol (THC) por mililitro e 30 mg de canabidiol por mililitro. Os produtos que tiverem concentração maior do que a estabelecida continuam proibidos no país.

Segundo nota da agência reguladora, a medida foi motivada pela fase final do processo de registro do medicamento Mevatyl®. O produto que, em alguns países da Europa tem o nome comercial de Sativex, pode vir a ser o primeiro obtido da Canabis sativa registrado no Brasil. O medicamento será indicado para o tratamento de sintomas de pacientes adultos com esclerose múltipla.

Estudos recentes  indicam que a maconha beneficia pacientes de câncer, epilepsia, Aids, glaucoma e esclerose múltipla. Mas os médicos do mundo inteiro se veem em um dilema crucial. Como receitar um remédio que é proibido?

A descoberta de que os canabinoides ligavam aos receptores CB existentes na membrana celular dos neurônios ocorreu em 1988. Dois anos mais tarde, esses receptores foram clonados e mapeados suas localizações no cérebro. Em 1992, foi identificada a anandamida, substância existente no sistema nervoso central, relacionada com os receptores, mas distinta deles.