Com o apelido de ‘surfista’, Jaison Cardoso aparece como receptor de R$ 300 mil do grupo Odebrecht

O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), remeteu para a Justiça Federal de Santa Catarina a investigação sobre o ex-prefeito de Imbituba, Jaison Cardoso Souza (PSDB) por suspeita de recebimento de ‘pagamento de vantagem não contabilizada’ nas eleições de 2012. A delação sobre o ex-prefeito foi feita por Paulo Roberto Welzel, ex-presidente da Foz do Brasil, empresa do grupo Odebrecht.

Esta não é a primeira vez que Jaison é citado na Lava-Jato. Com o nome encontrado em uma planilha, supostamente de pagamentos de propinas, ano passado, na casa de um dos executivos da empreiteira Odebrecht, na 23ª fase Operação conduzida pelo juiz Sérgio Moro, batizada de Acarajé, Jaison não disputou a reeleição e por não ter cargo eletivo não tem prerrogativa de foro.

Com isso, o pedido de investigação do caso feito pelo procurador-geral da Procuradoria, Rodrigo Janot, foi declinado pelo ministro Fachin para a Justiça Federal Catarinense para análise e possível abertura de inquérito. No despacho, o ministro afirma na petição número 6670:

“Trata-se de petição instaurada com lastro no Termo de Depoimento n. 5 do colaborador Paulo Roberto Welzel, o qual relata o pagamento de vantagem não contabilizada, em favor de Jaison Cardoso Souza, no âmbito da campanha eleitoral para a Prefeitura de Imbituba/SC, no ano de 2012.”

Com o apelido de “surfista”, o ex-gestor aparece como receptor de R$ 300 mil do Setor de Operações Estruturadas da construtora, que gerenciava a propina para políticos e partidos, entre agosto e setembro de 2012. Na planilha, há a indicação “PW” como a pessoa responsável pelos pagamentos a Jaison. As investigações do MPF/PR apontam que PW era a sigla de Paulo Welzel, autor da delação contra o único político do Sul do Estado na lista do ministro do STF responsável pela Lava-Jato.

O ex-prefeito afirma que não mantém contato com funcionários da Odebrecht e que nos últimos 12 anos a prefeitura de Imbituba não fez nenhum tipo de negócio com a empresa. “Posso dizer que estou surpreso, mas fico à disposição da Justiça para esclarecer qualquer situação”, conclui.

Fachin determinou a abertura de 74 inquéritos pedidos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, referentes a autoridades com prerrogativa de foro, como, por exemplo, o governador Raimundo Colombo (PSD), e outros possíveis envolvidos a partir de informações obtidas em acordo de colaboração premiada de ex-executivos do Grupo Odebrecht. O ministro determinou, ainda, a revogação do sigilo na maioria dos processos, mantendo em segredo de justiça a tramitação de dois inquéritos e 25 petições.

A pedido da PGR, o relator da operação Lava-Jato no STF determinou o arquivamento de sete processos. Outros oito processos (sete inquéritos e uma petição) foram devolvidos à PGR para nova manifestação referente à eventual prescrição e à competência em decorrência de prerrogativa de foro.

Nota de Raimundo Colombo é enviada

Já a assessoria do governador do Estado, Raimundo Colombo enviou uma nota de esclarecimento a imprensa com as informações: Conforme foi informado desde a primeira vez, a empresa Odebrecht não tem nenhum contrato, obra ou projeto com o Governo do Estado de Santa Catarina, não tendo sequer participado de licitações desde o início da atual administração em janeiro de 2011.

O Governo do Estado aguarda a abertura do sigilo das informações para prestar todos os esclarecimentos cabíveis.

Governo do Estado de Santa Catarina

Fonte: Portal AHora