Foi aberto nesta segunda-feira, 2, inquérito policial para investigar um culto da igreja Catedral Global do Espírito Santo, em Porto Alegre, que prometia aos fiéis a imunização contra o coronavírus. A 4.ª Delegacia de Polícia da capital vai investigar um possível charlatanismo, que consiste na “exploração da credulidade pública, anunciando a cura por meio secreto ou infalível”.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Laura Rodrigues Lopes, a polícia recebeu, por meio de denúncia, as informações de que um culto que seria realizado na igreja no último domingo, 1.º de março, prometia a cura de diversas doenças. Por meio das redes sociais, a população começou a compartilhar cartazes do panfleto que anunciava “O poder de Deus contra o coronavírus”. “Venha porque haverá unção com óleo consagrado no jejum para imunizar contra qualquer epidemia, vírus ou doença.”

Os policiais foram até o local, na Avenida das Indústrias, na zona norte de Porto Alegre,  mas não constataram durante o culto nenhuma irregularidade que pudesse comprovar charlatanismo.

Segundo Laura, foram ouvidos alguns fiéis que também não comprovaram que alguma irregularidade pudesse estar sendo cometida na igreja. “Nós tentamos nos aproximar de uma forma sigilosa, mas, quando iniciamos os questionamentos, percebemos que algumas pessoas conheciam quem estava na operação; acabamos, então, ficando no local acompanhando o culto e não constatamos nenhuma irregularidade”.

O inquérito tem prazo de 30 dias para ser encerrado. A partir desta terça-feira, testemunhas devem ser convocadas para prestar depoimento.

Nesta segunda-feira, o pastor Silvio Ribeiro divulgou em suas redes sociais um versículo da Bíblia como forma de justificativa sobre a promessa de cura. “Tiago 5:14. Se algum de vocês doente, que chame os presbíteros da igreja, para que façam oração e ponham azeite na cabeça dessa pessoa em nome do Senhor.15. Essa oração, feita com fé, salvará a pessoa doente. O Senhor lhe dará saúde e perdoará os pecados que tiver cometido”.

Além disso, o pastor utilizou o Instagram para divulgar uma imagem com um texto que fala sobre as ações que já foram realizadas pela igreja e que não foram divulgadas pela mídia, mas que a imagem do banner viralizou e “pessoas estariam fazendo maldade sobre o caso”.

 
Caso no Ministério Público
Nesta segunda-feira, 2, o Ministério Público do Rio Grande do Sul recebeu dez denúncias sobre as promessas da igreja Catedral Global do Espírito Santo. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos, Angela Salton Rotunno, falou por meio de um vídeo publicado no Facebook do órgão que, a partir do momento em que o MP tomou conhecimento sobre as supostas promessas de cura, todas as medidas cabíveis foram tomadas. “Na área criminal, a conduta pode ser enquadrada como charlatanismo, como curandeirismo e, se houve algum tipo de pagamento, pode ser considerado estelionato”.

Já no âmbito administrativo, a coordenadora afirma que a federação que responde em relação à esta igreja que está afiliada foi notificada do fato e explicações foram solicitadas. Na área cívil, Angela menciona que qualquer pessoa que tenha tido danos, físico ou moral perante o fato, pode ser ressarcida.

A coordenadora concluiu pedindo para que os cidadãos que se sentem desamparados e desesperados em momentos de dor e doença não acreditem em promessas de proteção ou cura fáceis e rápidas. “Diante da doença e da possibilidade de morte, é comum o ser humano se sentir desesperado e desamparado. Essa fragilidade emocional afasta a racionalidade e traz, como consequência, a facilidade em acreditar em qualquer promessa de proteção ou cura. É o que está acontecendo no momento. Pessoas inescrupulosas tentam obter vantagem desse desalento”, indicou.