Foto: Divulgação/Notisul.
Foto: Divulgação/Notisul.

Rafael Andrade
Tubarão

Difícil iniciar uma matéria sobre Willy Alfredo Zumblick. Mas tentemos pincelar um pouco da sua arte em algumas linhas. O mais conceituado e reconhecido artista da história de Tubarão e um dos principais do Estado, que nasceu em 26 de setembro de 1913, completaria 103 anos hoje. Ele deixou de encantar e transpor a sua essência, sentimentos e visão por meio de telas, monumentos e artesanatos há pouco mais de oito anos. Faleceu no dia 3 de abril de 2008. De pai alemão e mãe descendente de italianos, iniciou sua carreira ainda muito jovem. Casou com Célia Sá Zumblick, com quem permaneceu durante 60 dedicados anos. 

Devido a suas obras e sua posição sociocultural em Tubarão, foi concedida a honra, por meio das autoridades e da própria sociedade, de ter um espaço que inspira arte com o seu nome, o Museu Willy Zumblick, anexo ao Centro Municipal de Cultura, localizado na praça que leva o nome de seu irmão, o historiador Walter Zumblick. E o museu também está de aniversário. O gigante que guarda e expõe a maioria das obras de Willy foi inaugurado em 26 de setembro de 2000. Foi uma pequena forma de reconhecimento do ato de amor que o artista tinha por Tubarão. 

Suas técnicas serão eternamente estudadas, sua lição de clareza e de resgate de quem ajudou a desenvolver nossa sociedade é constantemente lembrada. Não há morte quando há legado. “Todo espaço que valoriza a cultura – e nesse caso a arte plástica, – é importante para preservar a nossa memória, pois todos os quadros que Willy Zumblick pintou foram inspirados em algum aspecto histórico da cultura catarinense. Visitar o museu e observar a sua obra é uma grande oportunidade para as pessoas conhecerem a história de Santa Catarina sob a ótica do maior artista do Estado”, indica o escritor membro da Academia Tubaronense de Letras, Maciel Brognoli.

Uma rica trajetória
Além da arte, Willy foi um dos grandes empresários de Tubarão no século 20. Foi relojoeiro e ótico, proprietário de estabelecimento do gênero, iniciado por seu pai, Roberto Zumblick, em 1902. Um marco descritivo afixado à parede frontal da relojoaria registra o nível atingido pelas águas do Rio Tubarão na catástrofe enchente de 1974, quando oficialmente, o acontecimento resultou em 199 mortes.

Autodidata, suas obras abordaram, em sua maioria, os aspectos históricos e sociais da gente de sua região. Foi membro honorário do Rotary Clube de Tubarão, agraciado com o título de um dos 100 rotarianos mais famosos. Willy Zumblick faleceu aos 94 anos. Sofria de infecção pulmonar e ficou internado durante sete meses no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão. Morre o mito, mas sua obra é eterna.

Em 2001 foi eleito um dos 20 catarinenses que marcaram o Século 20. Em 2009 diversas obras suas foram roubadas de sua antiga residência. Em 27 de maio de 2013 foram lançados três selos como parte das homenagens aos 100 anos de nascimento de Willy Zumblick.