Anitápolis

Há 12 anos, se discute em Anitápolis a instalação de uma mineradora para a produção de fertilizantes. No entanto, gestores, moradores da cidade e de diversos municípios catarinenses como: Tubarão, Laguna, Braço do Norte e Rio Fortuna, por exemplo, se posicionam contrários ao projeto.

Com medo dos riscos e passivos ambientais semelhantes as ondas de lama que atingiram as cidades de Mariana em 2015 e Brumadinho 2019, em Minas Gerais, com o rompimento de barragens de rejeitos das mineradoras diversos pessoas estão se organizando e mobilizando ações para que não ocorra a instalação da mineradora em Santa Catarina. “Em 2009, já fomos contra a mineração fosfateira e neste ano iremos nos mobilizar mais uma vez. Estou formando um grupo para movimentar e buscar parar essa iniciativa. Não é para mim, mas para os meus filhos que vão tomar água com ácido sulfúrico. Este é o problema”, lamenta o comunicador, Haroldo Silva, o Dura.

Recentemente, o Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4) tomou uma decisão em favor da Vale e extinguiu o processo popular movido desde 2009. Com a extinção a Vale poderá explorar mais de 300 hectares de Mata Atlântica. A Vale planeja erguer na cidade uma mineradora de fosfato e também  uma fábrica de ácido sulfúrico. A ação tramitava há 9 anos na Justiça contra a Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC).

De acordo com a advogada e moradora de Rio Fortuna, Marta Neckel, é necessário que a sociedade civil possa se mobilizar contra a instalação da mineradora. “Não podemos deixar que seja implantada a mineradora nessa região. Vamos busca apoio dos moradores de vários municípios. Estamos nas tratativas com representantes da CDL e com os vereadores, mas é preciso que as prefeituras ingressem com ações para a não instalação”, enfatiza.

Conforme moradores a Vale tem o intuito de construir duas barragens acima do rio Pinheiros. Cada uma terá 85 metros de altura, para conter rejeitos do ácido. Segundo o advogado da ONG Montanha Viva, Eduardo Bastos, contrário a instalação da mineradora, a reserva de fosfato de Anitápolis desperta interesse de empresas desde 1976, porém, para que a exploração ocorra, será necessária a construção de uma barragem no Rio Pinheiros, gerando uma série de consequências, entre elas supressão de 1,8 hectares de mata, o risco permanente de rompimento de uma barragem, além de comprometer os 21 municípios da bacia hidrográfica de Tubarão.