Wagner da Silva
Braço do Norte

A instalação da Indústria Fosfateira Catarinense (IFC) em Anitápolis, sob o controle das multinacionais Bunge, dos EUA, e Yara, da Noruega, preocupa o legislativo na região do Vale do Braço do Norte. A empresa pretende explorar uma jazida de fosfato no município serrano por 33 anos. A polêmica, porém, está no impacto ambiental que a atividade poderá acarretar para as cidades do Vale e região de Tubarão e Laguna.

Esta semana, o empresário e ambientalista Elton Heidemann explanou sobre estes possíveis impactos ao meio ambiente na câmara de vereadores de Braço do Norte. Preocupado, o presidente da casa, vereador Ronaldo Fornazza (DEM), assumiu o compromisso de tornar a discussão mais ampla. Ele apresentará a documentação, inclusive com um abaixoassinado de moradores, sobre a instalação da empresa na próxima reunião entre os presidentes das câmaras dos 17 municípios da Amurel, na próxima quarta-feira, em Imbituba.

Fornazza afirma não ter conhecimento dos prós e contras da questão, mas avalia como de extrema necessidade um debate mais amplo. “Solicitaremos, junto à empresa, que sejam realizadas também audiências públicas na região do Vale, de Tubarão e Laguna”, anuncia. Ele espera ainda que medidas de proteção ao meio ambiente sejam tomadas pelas instituições públicas. “O que esta empresa trará de benefício? Todo o material necessário para produção será enviado para regiões como Mato Grosso, onde há produção de soja. Aqui, só ficarão os problemas”, opina Fornazza.

Audiência
Em 20 dias, deve ser realizada uma audiência pública em Tubarão, para debater a instalação de uma indústria fosfateira em Anitápolis. A organização do evento está a cargo do vereador Haroldo Silva, o Dura (PSDB), de Tubarão. A intenção é reunir representantes de órgãos ambientais, Ministério Público (MP), políticos e a sociedade civil.

Fatma explica procedimento
de instalação da indústria

Conforme um comunicado enviado pelo presidente da Fatma, Murilo Xavier Fontes, um parecer técnico final (PTF) foi emitido a fim de viabilizar a instalação da Indústria Fosfateira Catarinense (IFC) em Anitápolis. Após três audiências públicas, a Fatma emitiu o parecer com uma lista de exigências que deverão ser atendidas pelos empreendedores.

Em uma delas, o empreendedor deverá solicitar ao Ibama um parecer técnico e aprovação para a supressão vegetal. Se isso não for feito, o projeto é inviabilizado. Conforme Murilo, o que a empresa tem hoje é uma licença ambiental prévia (LAP) e isto não garante a implantação do empreendimento. Outras exigências por parte da Fatma, que constam no parecer, serão verificadas.