A advogada criminalista Luana Vieira, de 37 anos, passou por um dos períodos mais difíceis de sua vida após ter sido infectada pelo coronavíru. Mãe de dois meninos com 6 e 2 anos, ela foi contaminada pela covid-19 e ficou em estado gravíssimo da doença. Após passar seis dias em coma no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) e receber alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a causídica recebeu um pedido inusitado ainda na casa de saúde, o de casamento em uma igreja.

Luana conta que os primeiros sintomas surgiram no dia 8 de junho, ela começou a tratar a doença apenas com uma simples gripe, na quinta-feira ela passou a sentir fata de ar e na sexta a dificuldade de respirar foi intensa. “ Acreditei ser uma gripe forte. Tinha muita dor de cabeça e dores no corpo. Tomei alguns medicamentos e acreditei que passaria. Na quinta-feira foi piorando e no dia seguinte ficou insustentável. No dia 12 de junho dei entrada no HNSC pelo Sus. Por quatro dias fiquei na enfermaria, mas numa terça-feira precisei ser entubada e fui para a UTI”, expõe.

Já na UTI, Luana explica que não sabia diferenciar o que era sonho de realidade. A defensora lembra que ouvia sons e também, que teve alguns flashs. “ Estava com o pulmão comprometido. Quando soube que ia para a UTI perguntei para o doutor Jean Abreu Machado se iria morrer. Conversamos um pouco, falei que tinha dois filhos pequenos e

e lutaria pela minha vida. Foram 17 dias internada e em todos os momentos de lucidez a pergunta era se iria morrer. A sensação é iminente”, pontua.

Com 37 anos, a bacharela afirma que não lembra se alguma vez usou o Sistema único de Saúde na infância. “Sempre tive plano de saúde. Se ainda criança utilizei não sei. Quando pequena e na adolescência meu pai sempre pagou. Posteriormente passei a arcar com o plano, mas com o nascimento do meu segundo filho optei por não pagar mais. Deixei apenas os meninos no plano e no colégio particular. Com a crise financeira dos últimos anos preferi que as crianças tivessem esse benefício. Quando dei entrada no hospital e pelo Sus pensei: ‘agora que vou morrer’. Muitos pensavam dessa forma. Que nada! A equipe médica, enfermeiros, técnicos e colaboradores do HNSC são um máximo. Eles te tratam com todo o cuidado do mundo, pareciam que estavam cuidando de um bebê. O que é aquele carinho que eles têm pelos pacientes?”, questiona.

Ela deixou a unidade de saúde no 26 do mês passado e segue em recuperação. Atividades simples como subir uma escada, tomar banho, realizar um trabalho pequeno e segurar o filho menor no colo, ainda é cansativo, porém, com o passar do dia a situação tem apresentado melhoras. “Não sei onde fui infectada. Atuou em presídio, delegacia e no escritório. O sentimento de culpa por outras pessoas da família também ter tido a doença foi grande, mas tudo está se encaminhando. Antes não era tão neurótica. Fazia os cuidados com álcool em gel, usava máscaras e acreditava que apenas isso já estava livre da infecção, mas não foi bem assim. Os cuidados depois disso, foram redobrados. É necessária atenção. As pessoas devem se cuidar. Não quero que ninguém passe pelo que passei. Se minha história ajudar uma única pessoa já estou feliz”, assegura.

A advogada cita que a sua cura foi um milagre. “Muitas pessoas oraram por mim. Foram dias e dias de correntes de oração e só estou aqui por Deus, pelo tratamento profissional que recebi da equipe do hospital e por aqueles que rezaram muito para que eu pudesse sair dessa com vida. Minha recuperação foi um milagre, não há dúvida”, constata.

Depois de ter recebido alta da UTI e da enfermaria, Luana foi pedida em casamento pelo noivo. “ Foi uma surpresa agradável. Vivemos uma união estável há alguns anos e não víamos a necessidade ainda de nos casar no religioso, mas depois de tudo que passamos juntos é precisamos selar esta união na igreja. Quando deixei o hospital, o agora meu noivo estava esperando do lado de fora com um cartaz me pedindo em casamento. O matrimônio ocorrerá no dia 26 de junho. Quando fará um ano que deixei o hospital, um ano que nasci de novo”, comemora Luana.

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