Karen Novochadlo
Braço do Norte
 
Os ânimos estavam exaltados na sessão da câmara dos vereadores de Braço do Norte desta semana. Os vereadores Salésio Meurer (PSDB) e Bertilo Borba (PMDB) tiveram um forte desentendimento e quase partiram para a briga. 
 
A discussão ocorreu porque Salésio discursou contra uma medida que aprovava o financiamento de R$ 4,5 milhões, pela Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc), na última semana. O detalhe é que também havia votado a favor. Ele se disse arrependido. Mas a principal razão, conforme o próprio Salésio, é que o prefeito Evanísio Uliano (PP) teria prometido investir R$ 200 mil em ruas escolhidas pelos vereadores, em suas comunidades. “Isso eu acho estelionato político”, alegou Salésio.  
 
Bertilo não gostou do que ouviu e foi tomar satisfações. “Salésio jogou todo mundo em uma vala comum. Se todos os homens do mundo fossem iguais a ele, ainda beberíamos água em caneca de inhame”, disse ao Notisul ontem. Durante a discussão, houve vários xingamentos, como idiota e bobalhão. 
 
Salésio lembrou o fato de Bertilo ser suplente, e não vereador. “Se eu tivesse votado contra, não ganharia o dinheiro e a minha comunidade iria me sovar. A justiça devia analisar esta questão estes R$ 200 mil”, alega Salésio.
 
Para a próxima sessão, todos deverão estar mais calmos. Lauro Beckhauser (PMDB), licenciado por 45 dias devido a problemas de saúde, volta a ocupar o cargo hoje ocupado por Bertilo. Salésio também  deve deixar a questão de lado. 
 
Briga | Confira um trecho da discussão entre os vereadores
 
Salésio: “Quando a gente aprova quase R$ 6 milhões, em uma gestão em menos de três anos. Na gestão de Ademir Matos, em oito anos, foram adquiridos R$ 1,5 milhão. Em oito anos, com relação a créditos, financiamento. Na gestão de Luiz Kuerten, quatro anos, foram R$ 900 mil. Isto foi debatido. Agora na gestão de Evanísio Uliano, estamos em quase R$ 6 milhões. E o interessante é que ninguém diz nada. Eu também tenho R$ 200 mil lá pra botar numa rua. Sei que pode me prejudicar, mas não posso ser conivente comigo mesmo. É um estelionato político. Falo isso com toda propriedade. Doa quem doer. Eu também votei a favor. Fui pressionado. Mas não vou fazer mais isso, nem que eu perca meu mandato. Nem que nem meus irmãos não votem mais em mim. Não faço mais isso. Homem tem que ser homem. Vereador tem que ser vereador. Nós não poderíamos ter aprovado e nós aprovamos. E inclusive aprovamos R$ 4,5 milhões sem saber onde vai ser aplicado. Claro que é em ruas. Mas não tem nenhuma rua delineada. Nem a Jorge Lacerda e nem Getúlio Vargas estão incluídas. R$ 4,5 milhões, com mais R$ 2 milhões que já temos pegado, são R$ 6 milhões. Estou achando que é um estelionato político”. 
 
Bertilo: “Presidente (pede a palavra a Jordão Walter Santana –  PP)”.
Salésio: “Eu não gostaria de estar”.
Bertilo: “É minha última sessão”.
Salésio: “Eu não estou dando palavra a ninguém”.
Bertilo: “Não estou pedindo a parte à vossa excelência. Vossa excelência me dá a impressão”.
Salésio: “Vossa excelência não vai falar agora”. 
Bertilo: “Vossa excelência me dá a impressão que é a moça que vai para boca e se arrepende”
O presidente pede ordem. 
Bertilo: “Vossa excelência vem para cá desabafar”.
Salésio: “A vossa excelência não tem o direito da palavra”. 
Bertilo: “Você excelência comete impropério contra todo mundo. Vossa excelência é um idiota”. 
Salésio: “Não tem direito a palavra”.
Bertilo: “Um bobalhão”.
Salésio: “Bobalhão é você”. 
Bertilo: “É, sim, senhor”. 
Salésio: “Vossa excelência é bobalhão”. 
Bertilo: “Não sou teu filho para aturar desaforo”. 
Salésio: “Desaforo!”.
Bertilo: “Foi muito bom de eu não ter me eleito mesmo. Vossa excelência é um desaforo. Mas demais vereadores que…”.
Salésio: “Nem vereador não é. É suplente”.
Bertilo: “Bobalhão é o que tu é”. 
Salésio: “É suplente”. 
Bertilo: “Seja homem, vote contra. Entre com ação na justiça. Fica ouvindo decoreba em fim da semana e vem para cá querer ofender todo mundo” 
Salésio: “Não estou ofendendo ninguém”.
(…)
Bertilo: “Não vem para cá querer desabonar a honra de nenhum pai de família”.
Salésio: “Ninguém tá desabonando”.
Bertilo: “Eu não sou um imbecil”. 
Salésio: “Vossa excelência não tem o direito da palavra”.
Bertilo: “Se vossa excelência quer resolver no grito, nós resolvemos”. 
Salésio: “Vossa excelência não tem o direito da palavra”.
Bertilo:  “Se você quer resolver na porrada, na porrada também resolvemos”
Salésio: “Cale-se”.
Bertilo:  “Você não é mais homem do que ninguém. É um bobalhão.”
Salésio: “Cale-se”.
Bertilo:  “Você é um bobalhão”. 
Salésio: “Bobalhão é você”. 
Bertilo:  “É, sim, senhor. Bobalhão e mal educado”.  
 
Confira no link abaixo o áudio da discussão.
http://www.4shared.com/audio/Ty29ot2Q/brao_do_norte_2.html