Zahyra Mattar
Tubarão

A bancária aposentada Edeltrudes Maria do Carmo Nunes Campos tinha 41 anos quando ficou grávida da filha mais nova, Karina Nunes Campos. Edeltrudes já era mãe de sete crianças. A mais nova tinha 14 anos e engravidar não estava nos planos. Mas Deus tinha uma missão maior do que a de ser mãe para ela. “A gestação foi tranquila. Mas o parto. Nossa, que parto”, conta a bela e jovem senhora de 68 anos.

Cerca de 15 dias após o nascimento da garotinha, coube aos filhos de Edeltrudes contar algo que até então ela não sabia: Karina nascera com síndrome de down. “Chorei muito quando me contaram. Nunca tinha visto uma criança down. Meu desespero não era porque minha filha tinha a síndrome, mas porque não sabia o que era isso ou o que fazer. Eu achava que ela iria morrer”, recorda, emocionada.

Nem mesmo os médicos tinham informações a respeito do problema da pequenina Karina. Há 30 anos, a síndrome de down era algo distante. Não se falava de crianças com necessidades especiais. “A confirmação de que Karina era down veio dois meses após o parto. Fui até Porto Alegre. Queria ajudar minha filha. Perguntei para o médico se tinha algum remédio que pudesse curá-la. Olha só! Ele me respondeu que o melhor remédio era um frasco de amor e outro de paciência, todos os dias”, diz Edeltrudes, com a voz tranquila que só uma mãe tem.

Desde então, a vida da aposentada tornou-se um desafio. Mas engana-se que sejam daqueles tortuosos. Pelo contrário. “Karina é uma estrela que brilha todos os dias para mim. É minha estrelinha guia. Minha missão de vida confiada por Deus. Quando olho para trás e vejo tudo que passamos, sinto orgulho de mim, da minha família, da minha bebê (detalhe: Karina hoje tem 27 anos). Não me arrependo de nada que fiz. Nunca tive vergonha de minha filha. Pelo contrário. Sou super coruja”, desmancha-se.