Wagner da Silva
Braço do Norte

Em regiões como o Vale do Braço do Norte, onde é predominante o rebanho jersey, destinado à produção de leite, e o crescimento é acompanhado por uma feira agropecuária – neste caso a Feagro -, o melhoramento genético que objetiva maior produtividade poderá ter um salto ainda maior.

Há 30 anos, a questão genética começou a fazer parte da realidade das propriedades rurais. Os produtores passaram a optar pela transferência de embrião para que as vacas prenhas tivessem ‘filhas’, em vez de ‘filhos’, e com isso poderiam ser utilizadas na produção de leite, onde o lucro é maior. Nas propriedades de menor poder econômico, a sorte prevalecia, pois o sexo do animal era conhecido apenas após o parto.

Os médicos veterinários Guilberth Butzke e Célia Cardoso, únicos no país a trabalhar com o método, possuem um laboratório móvel e correm o país em função da sexagem. O método de bipartição de células implantado em 2005 é realizado após a inseminação, onde os embriões masculinos são descartados e permanecem apenas as fêmeas para serem fecundadas. “É aplicar a tecnologia no melhor aproveitamento. Com isso, o proprietário consegue melhorar o rebanho, mas também terá maior produtividade com as fêmeas”, expõe Guiberth.

Experiência
Na propriedade do empresário Edésio Oenning, incentivador da produção da raça jersey, que trabalha com o sistema, os resultados foram animadores. “A vantagem é que mesmo os animais mais velhos, mas de muita qualidade, como tenho, podem ser utilizados para coleta de embriões. O resultado é uma lucratividade maior, pois você pode escolher. Na nossa região, o forte é a produção leiteira. Em outras, quem sabe os gados de corte são mais viáveis e com isso seja melhor produzir machos”, analisa.

Na região, o melhoramento genético é feito há alguns anos. “Desde a chegada do gado jersey à região, no início dos anos 80, não via um avanço tão grande. Com o trabalho de sexagem, vejo que a pecuária poderá crescer em três anos, o que demorou 30 anos para ser trabalhado”, enfatiza.