Nazareno Schmoller Souza

Gravatal

Com a frase do título desta matéria, o pernambucano Gilvaci Rodrigues da Silva, o Gil justificou estar na SC-370 nesta quarta-feira de manhã (14), em Gravatal e sentido Braço do Norte, empurrando sua bicicleta lotada de pequenas tralhas e ainda levando de carona o Marley, seu amigo de estimação e fiel companheiro. Conforme Gil, Marley era mais um cão abandonado. Os dois acabaram ficando amigos enquanto ele estava em Balneário Camboriú trabalhando na coleta de reciclados, e agora se tornaram também companheiros de viagem. E logo deu para perceber que Marley, com seu instinto de protetor, faz muito bem o seu papel, pois ficava feroz sempre que eu procurava aproximar-me um pouco mais deles, para facilitar a conversa, devido o barulho provocado pelo intenso trânsito de veículo na rodovia.

Gil contou que saiu de São Paulo, onde residia até setembro de 2016, e veio para Balneário Camboriú. Terminada a temporada de verão, a quantidade de reciclados diminuiu consideravelmente, e viver dessa atividade ali passou a ficar mais complicado, revela Gil.

Além disso, ele assegura que viver nas ruas fora da temporada é bem mais perigoso, porque nas noites perambulam muitas pessoas mal intencionadas. Diante dos fatos, Gil resolveu botar o pé na estrada. Ou melhor, a bicicleta na estrada. E é nela que o aventureiro leva todo o seu patrimônio, que se resume a poucas coisas, uma panela, fogareiro, alguns agasalhos e Marley, que vai dentro de uma caminha adaptada à bicicleta, obra de um gentil senhor que encontraram na caminhada e resolveu facilitar a vida do cachorrinho com um pouco mais de conforto.

“Alimentos eu sempre consigo, peço um pouquinho de feijão e outro de arroz nas casas. As pessoas têm sido muito gentis. Com o arroz e feijão faço um banquete para Marley e eu”, revela o aventureiro. E completa dizendo que não precisa fazer nada de errado para viver. “As pessoas de um modo geral são boas, são caridosas, basta você mostrar educação”, pontua. Mas quando o encontrei, ele estava empurrando a bicicleta. O motivo? A roda dianteira não tem pneu e câmara. E na traseira o pneu está furado. Ele pretende parar em alguma cidade adiante e catar reciclados para vender, arrumar a bike e seguir viagem.

“Sei que juntar dinheiro o suficiente para dar condições de viajar embarcado vai ser difícil, mas vou em frente. Se preciso for, vou empurrando a bicicleta, mas não vou desistir de realizar o meu objetivo de subir a Serra do Rio do Rastro”, mira Gil, com muita determinação. Depois da nossa breve conversa, despedi-me do aventureiro, que seguiu o seu caminho na realização de seu sonho. 

Foto: Nazareno Schmoller Souza