O balanço prévio do programa Recupera Sul, apresentado esta semana pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), apontou que quase mil negócios foram protegidos e mais de 10 mil empregos preservados em Santa Catarina.  O programa, iniciado em abril, disponibilizou R$ 100 milhões para crédito emergencial, com condições diferenciadas aos empresários catarinenses para enfrentamento da crise causada pelo coronavírus.

Do montante, 82% já foram repassados e o restante está em processo final de liberação. “A estimativa é de que, com a conclusão dos processos em andamento, outras 200 empresas devam ser beneficiadas, aumentando para 12 mil o número de empregos protegidos pelo programa de crédito”, destaca o diretor financeiro, Marcelo Haendchen Dutra.

Um dos empresários já beneficiados é Wesley Silva, de Joinville. Dono de um negócio no ramo do vestuário, ele conseguiu a liberação de R$ 83 mil em menos de 20 dias. “O programa ajudou para que a minha empresa não parasse. Desta forma consegui manter os empregos e a venda dos produtos nas lojas”, destaca.

“Ter um programa que permitiu empréstimos sem burocracia e com condições de pagamento facilitadas, foi uma ótima maneira de ajudar empresários como eu”, afirma Sidinei Chieza, proprietário de uma padaria de Chapecó, que também acessou o programa e diz que os recursos vieram em boa hora.

Um dos diferenciais do Recupera Sul foi a possibilidade de acesso ao crédito sem a necessidade de garantias reais. Um formato que viabilizou aproximadamente 80% das operações do programa.

Adriana Bertelli, de Lages, garantiu R$ 200 mil para manter a empresa de autopeças da família funcionando. “O prazo e o juros são excelentes. Isso deu fôlego para me manter no mercado”, comemora.

Outros empresários atendidos pelo programa foram retratados em uma série de vídeos produzidos pelo BRDE, e que começaram a ser exibidos na semana passada nas redes sociais. “A intenção é dar transparência e mostrar o impacto deste trabalho”, ressalta o Diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito, Vladimir Arthur Fey.

O levantamento prévio mostra que os recursos disponibilizados pelo BRDE chegaram a 125 cidades catarinenses. A região que mais firmou contratos foi o Vale do Itajaí, seguido do Oeste Catarinense e Grande Florianópolis. Na sequência vem Norte, Região Serrana e Sul. “Alcançamos os mais diversos pontos do estado, ajudando muita gente que precisava de apoio neste momento difícil. E isso valoriza o papel do BRDE como banco de fomento”, complementa Fey.

O PROGRAMA – Entidades empresariais de Santa Catarina acessaram o Governo do Estado no início da pandemia, solicitando a liberação de crédito emergencial para os empreendedores catarinenses. A partir desta demanda, o BRDE disponibilizou recursos próprios e criou o programa Recupera Sul, exclusivo para capital de giro.

A linha de crédito disponibilizou entre R$ 20 mil e R$ 200 mil, com carência de 18 meses, prazo de 30 meses para pagamento e juro muito abaixo da média de mercado. As operações tiveram o apoio do Sebrae e cooperativas de crédito parceiras, que auxiliaram na análise dos processos e pulverização dos recursos. “As operações entre R$ 20 mil e R$ 80 mil puderam ser realizadas com o benefício do Fundo de Aval, que funciona como uma espécie de fiador, dispensando a apresentação de garantias como imóvel ou veículo”, complementa o Diretor Financeiro, Marcelo Haendchen Dutra.

Passada a fase aguda da crise, o banco começa a estruturar outros programas de crédito que possam incentivar a retomada dos negócios. “O esforço é para atrair recursos, inclusive de fontes internacionais, para que o empreendedor catarinense possa fazer os investimentos que ficaram represados nos últimos meses. A expectativa é que isso possa ajudar a movimentar significativamente a economia local”, finaliza Dutra.

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