Liliane Dias

Jaguaruna

Aos 62 anos, Rui Vargas teve um dos momentos mais difíceis e tristes da vida de uma pessoa. Ele perdeu a sua casa e tudo o que havia dentro em um incêndio na noite do último dia 14, na localidade de Dunas do Sul, em Jaguaruna. Restou apenas uma mala com poucas roupas.

O autônomo é separado e tem três filhas. A técnica em enfermagem, Poliana Vargas é a filha mais velha. Ela procurou a reportagem do Portal Notisul no intuito de buscar ajuda e tentar reconstruir a casa de seu pai.

Poliana mora em Florianópolis há 12 anos. Ela trabalha na Fundação Catarinense de Educação Especial e à noite no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon). Além das funções, ela e o esposo neste verão colocaram um quiosque na praia por meio de um edital. Foi quando convidou o seu pai para trabalhar com ela. “Ele veio e ficou 30 dias conosco. Estava muito feliz. Até uma cliente fez um vídeo com ele falando da sua alegria em servir”, relembra.

Este vídeo ao qual Poliana se refere, foi feito pela professora e advogada Tatiana Marcello, do Rio Grande do Sul, que em férias se tornou cliente do quiosque. Ela conta que estava com a família na praia, onde Rui atendia aos clientes e ficaram impressionados com a atenção e alegria que dedicava a cada pessoa. 

“Pedi para fazer um vídeo quando ele chegasse com a minha bebida e gentilmente aceitou. Publiquei no meu Instagram, elogiando a forma como desempenhava a sua função e agradecendo por ter feito o nosso dia mais feliz. Ao enviar os vídeos a Rui, ele me contou que naquela noite a sua casa havia incendiado”, expõe.

A advogada explica que ficou muito sensibilizada e quis ajudar de alguma forma. “Meus seguidores aplaudindo a atitude dele por meio da filmagem e logo venho a saber que sua casinha pegou fogo com tudo dentro. Então, sugeri que fizesse uma vaquinha online para poder compartilhar também com os meus seguidores. As pessoas ajudam com o que podem e isso é lindo, mas ainda não foi suficiente. Espero que em breve possam reconstruí-la”, destaca.

Poliana fez contato com a prefeitura de Jaguaruna na expectativa de ao menos removerem os entulhos. Conseguiu contato com o prefeito por meio das redes sociais e obteve retorno. “Estamos tentando um suporte da prefeitura porque até hoje está tudo do mesmo jeito. O prefeito disse que nos atenderia esta semana, depois que conseguirmos a limpeza do terreno e a próxima etapa realmente será a casa de meu pai”, conta esperançosa.

Construção e arrecadação

Poliana explica que não foi feito ainda orçamento para a nova casa. “A princípio pensamos em fazer de material, já conseguimos dois mil tijolos, umas sacas de cimento, mas acreditamos que a mão de obra teria um custo elevado. Então pensamos em fazer de madeira, porém estamos aguardando ver quanto conseguiremos arrecadar para ver o que será possível fazer”, explica.

A vaquinha online foi criada após a advogada sugerir para facilitar o processo e doações. Até o momento quase dois mil reais foram arrecadados com a campanha, mas a meta da vaquinha é atingir R$ 25 mil. “Esses quase dois mil foram graças a esta nossa cliente que tem muitos seguidores, ela foi um anjo na nossa vida neste momento difícil”, emociona-se.

A história de Rui

Quando se separou, já tinha três filhas, hoje as jovens têm 32, 31 e 28 anos. Ele deixou a casa para a ex-esposa e suas filhas. Como sempre trabalhou como autônomo Rui tentou viver nos Estados Unidos, mas acabou voltando para o Brasil após ter sido deportado. Com muito custo a família conseguiu adquirir uma casa em Dunas do Sul, onde morava sozinho. 

Uma prima de sua ex-mulher, que também vive em Dunas do Sul, recebeu uma notificação no grupo dos moradores sobre o incêndio e reconheceu a casa. Ela avisou a família e assim que recebeu a notícia, Poliana trouxe o seu pai de volta para Jaguaruna, onde se deparou apenas com os entulhos, pois não havia sobrado nada da casa.

“A casa queimou toda, era uma residência simples, mas bem limpinha. Ele não tem carteira assinada, sempre foi autônomo, vendendo pomada, colchão, tem um carrinho entre outros itens. Como ele não tem fundo de garantia e nem como se aposentar, por isso a iniciativa em buscar ajuda”, explica a filha mais velha.

A família tenta se ajudar como pode, mas financeiramente não tem condições de construir uma casa, entretanto, os mais próximos ajudam como podem. Hoje Rui passa uma noite e outra na casa dos parentes. Aguarda a ajuda da prefeitura para retirar os entulhos e de pessoas que se sensibilizem com a sua condição para então reconstruir a sua casa.