No papel de jurado do Festival de Cinema de Sydney (Austrália), o ator e agora diretor de cinema Wagner Moura declarou ao The Daily Telegraph, em entrevista, que tem receio de retornar ao Brasil. O comentário foi motivado por questões ligadas ao filme de estreia do ator de Narcos como diretor: Marighella, exibido no festival, depois de ter sido lançado na 69ª edição do Festival de Berlim (Alemanha), em fevereiro.

“Pela primeira vez na vida, senti que poderia estar em perigo”, declarou o ator, que se diz destemido no retorno para a América do Sul, mas que o quadro pode mudar “pela escalada de futuros episódios”. Marighella trata da história do guerrilheiro que lutou contra a ditadura militar no Brasil estabelecida entre 1964 e 1985. No material de divulgação relacionado ao longa, a assessoria australiana reforça o paralelo entre a situação da época e traça objetivamente um contexto próximo ao momento do Brasil. “Implacavelmente (Marighella) é perseguido como inimigo número um do governo”, explica parte do texto que apresenta o filme.

“Eu estava preparado para o filme polarizar espectadores e críticos, mas não estava preparado para que nossos distribuidores não tivessem coragem de lançar o filme”, afirmou Moura. O material publicado assegura que o longa “não será distribuído” no Brasil. Moura cita lampejos no andamento do foco da cultura no Brasil, com a posse do presidente Jair Bolsonaro que já criticou o filme, ainda que não tenha sido visto no Brasil.

A óbvia associação com o momento atual teria o poder de afugentar distribuidores como o ator explica. Na entrevista, Wagner alerta para o perigo de segurança, “em meio às tensões políticas”. Ainda assim, conta que, em breve, estará no Brasil, mesmo, em meio, a cenário “de partir o coração”. “Quando vou ao Rio de Janeiro ou a São Paulo, tenho que ter cuidado”, sublinhou. Entre o material publicado pelo Festival de Sydney, há ênfase para um paralelo: “Com sequências de ação estimulantes, esse empolgante filme histórico (Marighella) tem poderosa ressonância no presente, no Brasil e além”.