Tatiana Dornelles
Tubarão

Cada vez mais pessoas com necessidades especiais têm garantido espaço no ensino regular, assim como no mercado de trabalho e na própria sociedade. A inclusão escolar, por exemplo, já é realidade em muitas redes de ensino distribuídas pelo país. E os exemplos estão bem próximos.

A aluna Talita Joaquim Beninca, da escola estadual Senador Francisco Benjamin Gallotti, tem deficiência auditiva e precisa de uma professora intérprete. Mesmo com todas as dificuldades, ela não desistiu dos sonhos e está matriculada regularmente, como qualquer outro estudante.

No Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) há dez alunos portadores de necessidades especiais, como deficiência visual (cegos e baixa visão). Eles contam com apoio de uma professora. “Mas há também estudantes com deficiência mental leve nas salas de aula, que estudam como qualquer outro aluno”, explica a assistente técnico-pedagógica do Ceja, Jovânia Maria de Souza.

Entretanto, outras pessoas portadoras de necessidades especiais não tiveram a mesma oportunidade. Tudo porque, antigamente, ainda havia uma certa ‘exclusão’ social. É o caso de Édson. Quando ainda era criança, a mãe foi orientada a matriculá-lo diretamente na Apae. “Ele foi estudar com seis anos na Apae. Se tivesse ido para uma escola normal, poderia saber ler e escrever hoje. O Mano (apelido) adora copiar textos de jornais, revistas e está sempre com papel e caneta em mãos. Mas não é alfabetizado. Antigamente, não se falava tanto em inclusão social e escolar como agora”, conta a mãe, Terezinha de Quadros.

A diretora pedagógica da Apae de Tubarão, Sulani Zanini Pizzolo Stüpp, diz que cerca de 33 alunos da instituição estão matriculados no ensino regular também. “Nestes casos, a Apae serve como complementação e o professor trabalha onde o estudante apresenta maior dificuldade. O aluno estuda em um período na escola normal e em outro na Apae”, afirma Sulani.

Segundo ela, atualmente a conscientização quanto à inclusão está maior. “Hoje, a inclusão é um fator primordial, seja na escola ou no trabalho. A conscientização está bem maior. Não como realmente desejaríamos, mas existe. A inclusão, que antes era apenas teoria, agora ocorre na prática”, ressalta a diretora.