Neste domingo (17), celebra-se o Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia. A data tem o intuito de comemorar a diversidade contra todos os tipos de preconceito. Mas como comemorar se o Brasil é considerado um dos países que mais mata e discrimina pessoas LGBTs no mundo? A realidade da violência homofóbica no Brasil é vista como cruel e triste. A cada 19 horas uma pessoa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis) morre. Além disso, o Estado brasileiro é o que mata travestis e trans em todo o mundo.

A data foi escolhida porque, em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Ficou reconhecido que este comportamento é apenas um traço da personalidade, não um distúrbio da mente.

O contador Emerson Silva, afirma que este é um dia a ser celebrado, mas não sem lágrimas por muitas perdas. “O dia Internacional da Lgbtfobia representa um marco simbólico de pequenas conquistas adquiridas ao longo de uma longa trajetória de lutas. Afinal, faz apenas 30 anos, que deixou de ser considerado doença pela OMS, motivo da comemoração. Porém, em pleno século 21 ainda, trata-se de pequenas batalhas vencidas, distante demais da vitória. Prova disso é o crescimento no mundo todo do conservadorismo político, em meio a tanta luta por igualdade”, observa.

O objetivo desta data é debater os mais variados tipos de preconceitos contra as diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, além de gerar o desenvolvimento de uma conscientização civil sobre a importância da criminalização da homofobia. Para o administrador, Marcelo Vieira, 29, é triste em pleno século 21, as pessoas ainda passarem por violência, por ter escolhido outra opção sexual.

Ele afirma que a punição para as pessoas que cometem os mais variados tipos de violência em relação as diferentes orientações sexuais, por exemplo, são fracas. “Sabemos que muitos sofreram e morreram para chegarmos até aqui. Respeitamos as pessoas e também queremos ser respeitados. Cada indivíduo é singular, não podemos chegar e querer impor para uma pessoa de 60 anos, que teve uma educação totalmente diferente aceite de boa, mas é necessário entender a escolha do outro”, enfatiza.

Conforme Larissa Mayumi e Jane Camila do Movimento de Mulheres Olga Benário e UJR, o alto índice de violência contra a comunidade é justificado dentro de um sistema por uma cultura conservadora e retrograda, muitas vezes disseminada por algumas religiões. Essa situação faz com que pessoas LGBTs sejam expulsas de casa, não consigam terminar os estudos, sejam excluídas do mercado de trabalho, fazendo com que muitos tenham que se colocar em situação de risco na prostituição.