Com apenas 1 ano e 8 meses, Henry entrou em coma. Nestes momentos, medo e desespero definiam o sentimento da família, que precisava lidar com o câncer infantil. O temor surgido com o diagnóstico crescia gradualmente à medida que as sessões de quimioterapia se tornavam mais frequentes. Toda a angústia vivida pelo pequeno, porém, foi superada após uma tão esperada notícia: venceu a doença.

No Distrito Federal, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) — que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — recebe entre 180 e 200 pacientes menores de 18 anos por ano. Entre esses, está Henry Lacerda de Oliveira, 5 anos.

Cerca de 60 dias antes do diagnóstico de um neuroblastoma, Henry, ainda bebê, já não comia mais direito e tinha vômitos frequentes. “Foi ficando mais quieto, sem vontade de brincar e amarelinho, daí levamos ao hospital. Acharam que eram gases, mas no outro dia ele começou a piorar e o remédio não resolveu. Então, fizemos outra radiografia. Foi quando a médica viu que tinha algo errado”, relata o pai, Elisandro Lacerda Ramos, 30.

O câncer na glândula suprarrenal esquerda foi descoberto em outubro de 2015, em seu último estágio. “Estava no grau 4, que é quando tem vazamento para a medula e acontece metástase. Foi bem desesperador. Em poucos dias, o estado de saúde dele estava grave e ele ficou 25 dias na UTI, em coma”, narra o engenheiro civil.

Renascimento

Após a descoberta do tumor, Henry fez quimioterapia no Hospital da Criança por um ano. Em dezembro de 2016, depois de conseguir um transplante de medula óssea, o garotinho renasceu.

“Foi um transplante da medula dele mesmo, autólogo. Nós viajamos para Curitiba e o Hospital da Criança que fez esse intercâmbio para a gente, porque na época não tinha esse suporte. Ainda tivemos apoio da Abrace (Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias), que nos deu uns suplementos, que eram muito caros.

“Mesmo pequeno, hoje ele entende o motivo das frequentes idas ao hospital. “Eu lembro do Hospital de Crianças. Todo dia eu ia lá”, relembra Henry.

Antes, ele fazia acompanhamento com médicos uma vez por mês. Após a nova chance de vida, faz exames de três em três meses. “Hoje, ele vive uma vida normal. 

Em comemoração ao Dia das Crianças, o garotinho participou de uma noite do pijama na escola e já fica ansioso para mais brincadeiras. “Na festa do pijama com meus colegas na escola eu vou sozinho. Meu pai vai ficar em casa. Vai ser legal”, diz o menininho.

“Na época, ele tinha restrições. Não saía muito, porque tinha de evitar infecção. Mas, agora, ele sai, brinca, vai para o parquinho. É como se ele tivesse nascido de novo”, comemora o pai.para a escola, está no nível das outras crianças, gosta de natação, de futebol”, conta Elisandro.