Wagner da Silva
Braço do Norte

A chuva na noite de terça-feira provocou novos deslizamentos em Braço do Norte. A área mais prejudicada é o bairro São Matheus, onde a Defesa Civil sugeriu que cinco famílias deixassem as suas casas. São sete residências, duas delas vazias.
Por volta de 22 horas, os moradores ouviram barulhos. Era o barranco cedendo. Nenhuma casa foi atingida até ontem, por volta das 19 horas, mas a continuidade da chuva pode provocar estragos.

A área foi interditada, mas não isolada. Desta forma, nenhuma família abandonou os imóveis. A moradora Juliana Floriano afirma que não deixará a área enquanto a prefeitura não encontrar uma solução. “Trabalhamos a vida toda para conquistar este espaço, não vamos sair. A própria prefeitura deu aval de moradia quando aprovou a escritura. São eles os responsáveis por dar estrutura e têm o dever de fazer alguma coisa por nós, não nos jogar em qualquer lugar”, desabafa.

A mesma angústia é vivida por Luci Dauferti Ramos. Há menos de um ano, ela e o esposo pagaram toda a documentação necessária, construíram e agora podem ter que abandonar a residência. “Eles aprovaram as licenças, mas nem vieram avaliar o local. Agora, querem que a gente saia. Sairemos somente com uma alternativa”, lamenta.

Prefeitura pede prazo de quatro dias

Os moradores do bairro São Matheus estiveram reunidos ontem à tarde com o prefeito Evanísio Uliano (PP), o Vânio, o coordenador da Defesa Civil, Reginaldo de Oliveira, e a secretária de assistência social, Francisca Leonel da Silva. Eles solicitaram quatro dias para avaliar a situação.

Enquanto isso, os moradores serão alojados em casas de parentes, com suporte da administração municipal. Neste tempo, será feita a limpeza da área onde houve o deslizamento e um laudo técnico será elaborado. “Se não houver riscos, vamos liberar as casas. Caso contrário, vamos derrubar as estruturas, mas já com uma alternativa às famílias”, afirma o coordenador da Defesa Civil.

Solução pode demorar

A retirada das famílias do bairro São Matheus preocupa a administração de Braço do Norte, pois o município não possui plano emergencial para abrigar pessoas que residem em áreas de risco.

A secretária de ação social, Francisca Leonel da Silva, a Quinha, relata que o plano de habitação é discutido, mas ainda não há projeção imediata. “A situação é crítica e não há local apropriado para alojar estas pessoas. Elas serão encaminhadas com seus pertences a casas de parentes, até que possamos solucionar o problema definitivamente”, informa.

De acordo com a secretária, várias ações na área de habitação são executadas, mas os resultados podem demorar. “Buscamos recursos no governo federal para vários projetos, mas os mecanismos deixam as pessoas desesperadas em função da demora. Sentimos por isso, mas garantimos que estamos agindo”, destaca.