Um vídeo com depoimentos de médicos de Tubarão a favor da quarentena ganhou as redes sociais nos últimos dias e tem dividido a opinião de muita gente. O vídeo foi feito para conscientizar a população sobre a importância dos cuidados durante a pandemia do Covid-19. Mas diante de tantas mortes e desemprego ficam duas perguntas: Fecha tudo para salvar vidas ou continuam os trabalhos com restrições ao Covid-19 para manter empregos?

Entre os depoimentos, até de médicos que já pegaram Covid-19 e estão recuperados, está a preocupação não só com ocupação de leitos, mas a falta de medicamentos para pacientes com sintomas grave da doença, afastamento de profissionais médicos, enfermeiros e técnicos infectados ou exaustos por excesso de trabalho. “A vida em primeiro lugar”, dizem alguns profissionais.

Com a capacidade de leitos de UTI/SUS em 100%, o Hospital Nossa Senhora da Conceição não tem como receber mais pacientes, e quem precisar de UTI os hospitais disponíveis mais próximos estão na Grande Florianópolis, Serra e Oeste, que também já estão quase lotados. A região Sul não tem mais vaga em leito de UTI/SUS disponível.

Até esta segunda-feira, Tubarão registrava 1.257 casos confirmados de Covid-19 e 859 pacientes recuperados, são 398 casos de pacientes ativos com a doença. Ainda há 394 casos suspeitos.

Comércio e serviço

Por outro lado, o número de desempregados nos setores de comércio e serviço em Tubarão foi de 3.260 entre os meses de março e maio, durante a forte crise do Covid-19. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).

Em março deste ano, quando tivemos a primeira quarentena, foram 441 demissões no comércio de Tubarão e 1.077 no setor de serviços. Em abril os números foram mais altos: 455 demissões no comércio; no setor de serviços a quantidade de demissões reduziu pela metade, foram 580.

Em maio a economia pareceu dar uma reagida, foram 285 demissões no comércio e 422 demissões no setor de serviços.

E com a nova quarentena os empresários destes setores temem um retrocesso na retomada econômica. Na avaliação do Presidente da CDL de Tubarão, Rafael Silvério, sem dúvida estes setores foram os mais afetados e certamente haverá mais demissões nas próximas semanas.

No entendimento do empresário são necessárias as medidas para conter o avanço da doença, porém, é preciso pensar em ações que não afetem drasticamente a economia. “O comércio vinha se recuperando devagar e serão mais 9 dias de lojas e empresas fechadas, sem faturar e tendo que pagar contas”, considera.

Também há desemprego em outros setores

O número de demissões em Tubarão durante os meses de março e maio é um pouco maior. Conforme o CAGED ainda há dados do setor da agropecuária, indústria e construção que somam 2.067 desligamentos na cidade durante o período.

Na agropecuária não foram divulgados dados dos meses de março e abril. Conforme o CAGED não houve demissões no setor no mês de maio.

Na indústria houve 863 desligamentos no mês de março; 570 em abril e 335 em maio.

Na construção foram 105 demissões em março; 106 em abril e 88 em maio.

Somando as demissões em todos os setores como comércio, serviço, agropecuária, indústria e construção são 5.327 desligamentos entre os meses de março e maio deste ano em Tubarão.

Conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico de Tubarão, Geovani Bernardo, nem todas as demissões aconteceram por conta do Covid-19. “Não tem como saber exatamente o motivo das demissões, existe uma rotatividade grande de funcionários e muita gente tem aderido a abertura de CNPJ”, finaliza.