Paris, França

Líderes de 15 países da zona do euro, reunidos ontem em Paris, anunciaram que permitirão a realização de empréstimos interbancários para conter os estragos causados pela crise financeira. Outra medida será a injeção de capital nas instituições para evitar falências. Nenhum montante global foi anunciado, mas Alemanha, França, Itália e outros países apresentarão hoje, simultaneamente, os detalhes de seus planos.

Os líderes decidiram permitir um refinanciamento bancário “limitado” até o fim de 2009 e “nas condições do mercado”, anunciou o presidente francês, Nicolas Sarkozy. “Não será um presente para os bancos”, disse Sarkozy, que presidiu a reunião do grupo, em que se decidiu que os estados-membros “poderão reforçar o capital dos bancos nos seus respectivos países”.

Os membros do bloco europeu estão autorizados a evitar a falência dos seus bancos mais importantes, sobretudo por meio de operações de recapitalização. “Esta é, de fato, uma ação conjunta que estamos adotando”, ressalta. “A crise nos últimos dias entrou em uma fase que torna intolerável optar pela procrastinação e pela abordagem isolada”, pondera.

Para o presidente da Comissão Européia (braço executivo do bloco), José Manuel Durão Barroso, “é, sem dúvida, um processo de grande complexidade, mas a verdade é que foi possível hoje elaborar um programa mais concreto para a zona do euro” e “as decisões tomadas são uma etapa essencial num processo muito urgente”, disse.

“É muito importante que as diferentes ações dos diferentes estados-membros possam ter um mesmo quadro de referência. Os resultados da reunião de hoje (ontem) permitem-nos ter a certeza de que o que faz um país contribui também para os esforços dos outros, em vez de colocar problemas aos vizinhos”, concluiu Durão Barroso, que, antes de entrar na reunião de emergência, apelara a “um nível de coordenação sem precedentes enfrentar uma crise sem precedentes”.